“Então” Disse meu novo melhor amigo, Ronaldo, o Colega de Cela. Pelo menos acho que era o nome dele. De fato, nunca tivemos muito tempo para conversar. Mas eu conseguia sentir que éramos melhores amigos para sempre. Ou então até eu achar um amigo com mais lasers “O quê você fez pra ser preso?”
“Estupro.”
“Estupro?!” Ele gritou, assustado. Nem se parecia com o cara que gostaria de estuprar minhas tripas fora.
“Não, não estupro. Como era a palavra…” Procurei a expressão no ar “Ah! Lembrei! Ameaçar um mendigo de morte.”
“Ah, isso é… Menos pior, acho.”
“Bem, não era minha culpa. Ele veio até meu escritório armado e exigiu um banho de esponja de graça.”
“Banho de esponja?”
“Ah, bem, eu explico. Depois de uma festa que o Garcez — É um amigo meu do trabalho — organizou e lançou, o Contos de Bar — Meu trabalho — Ficou meio… Falido. Então, para não termos que procurar novos empregos, começamos a dar banhos de esponja. Vinte reais, e você tomava banho de esponja sozinho. Cinqüenta e um dos colunistas te dava o banho. Cem, e o tal colunista te daria o banho enquanto nu. Duzentos, e você conseguia um Final Feliz.”
“Uau.” Meu mais novo melhor amigo riu. “Ainda bem que seu trabalho não tinha mulher, hein?”
“Na verdade, tem duas.”
“Ah. Elas devem ganhar muitas gorjetas.”
“Na verdade, é nossa alpaca que consegue mais clientes.”
“Alpaca?”
“Sim. É um parente da lhama. Eu finjo não saber como é para irritar o Antonelli, um outro colega meu.”
“Entendo.”
“Entende?”
“Não.”
“Ah. Ei,” Continuei, uma pergunta importante me vindo à mente “Qual de nós é o homem da relação?”
“É o quê?!”
“Você sabe, na hora do sexo de prisão, quem vai violentar quem? Geralmente é o mais durão.
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| Estupro de cadeia não é assunto para se brincar com! Exceto de vez em quando, claro. |
“Foda-se. Mas eu não vou ser estuprado por você!”
“Ah,” Protestei “Mas eu já tinha até escolhido seu nome durante a relação!”
“O quê…” Ele levou a mão à face “Eu… Ah, dane-se. Qual o nome que você me escolheu?”
“Bochechas de Mel.”
“Mas o quê?! Meu nome é Oswaldo!”
“Ah, droga. Tinha apostado em Ronaldo.”
“Você é louco.”
E então ficamos em silêncio por alguns minutos. Eu comecei a assobiar, e ele jogou seu sapato em mim, já que eu estava assobiando Bad Love. Por fim, tivemos mais uma briga, e eu novamente subjuguei o Bochechas de Mel com facilidade. Meses tendo que lutar com o Antonelli — Muitas vezes com ele nu — me deixaram rápido, e apenas com uma pitada de humor homo-erótico. Uma pitada peniana.
“Então” Perguntei, depois de algum tempo se passar “O quê você fez para vir parar aqui?”
“Furto.” Respondeu, sério “Eu ganho tão pouco. Mal consigo alimentar minha filha, que está doente. Aí eu tive que furtar só para pagar pelo remédio dela. Você…” Ele começou a chorar “Você sabe como é? Desistir de todos os seus sonhos? Todas suas ambições? Viver apenas por uma pessoa, e ter que ver ela morrer sem você poder fazer nada?!”
“Eu sempre quis trabalhar em um pornô” Retruquei, também sério. “Por um tempo, eu consegui realizar esse sonho. Fui contratado para uma versão Live Action de um pornô de desenho sobre tentáculos estupradores. Meu papel, apesar de pequeno, era muito importante para mim.”
“O que você fazia?”
“Eu era o Terceiro Tentáculo da Direita, e meu papel era o importantíssimo de ficar balançando dentro de uma fantasia barata de tentáculo.”
“E o que aconteceu?”
“Eu… Fui demitido.”
“Por quê?”
“Porque… Eu ficava gritando ‘Penistáculo’ durante as filmagens!” Apoiei-me em seu ombro, chorando de raiva. Ele, no entanto, só levou a mão à face.
“Enfim. Por que VOCÊ foi preso, mesmo?” Ele me perguntou, desconfiando de minhas puras intenções tentaculares.
“Já te falei, um mendigo tentou ganhar um banho de esponja grátis com a Dutra, minha colega de trabalho, então eu o espanquei com meu abajur.” Mostrei para ele meu abajur, com suas quatro patas e seu bafo.
“Isso é uma hiena.”
“Não” Bufei. Que nem os policiais disseram. “Isto é um abajur. Uma hiena é o alimento que usamos para respirar debaixo d’água quando estamos entediados.”
“Isso não faz o menor sentido!”
“Ei, Biancardine, uma moça aqui pagou sua fiança” O policial falou, sendo amigável “Você está livre para ir.”
Saí, depois de abraçar meu melhor amigo do mundo uma última vez. Como um bom amigo, ele tentou me esfaquear. Como um bom amigo, eu o nocauteei. Fora das celas da delegacia de polícia, Dutra me esperava, irritada.
“Doçura!” Fui abraçá-la, e ela me chutou na canela.
“Doçura o cacete. Você me custou quinhentos reais depois que atacou o Paulo com aquela hiena.”
“Eu estava te protegendo!”
“De onde você conseguiu uma hiena em primeiro lugar?!”
“Era um abajur!”
“Ugh. Foda-se. Vamos, você está me devendo uma.”
“E como eu poderia pagar-lhe?”
“Bem” Ela riu diabolicamente. Pelo menos é o que acho “Você pode usar isto” E então ela botou orelhas de gato em mim. Eu ri, e ajustei-as. Ficava sexy com elas.
“Ok. Mas você também vai usar, doçura.” E então botei as que guardava no meu bolso nela, que protestou.
“De qualquer forma, você também vai me ajudar com minha loja clandestina.”
“Isso envolve trazer dor e desconforto para o Paulo?”
“Você sabe que sim.”
“Excelente” Vesti meu castor “O que estamos esperando?!”
E então fomos, para perturbar o Paulo muito além dos limites da sanidade. E também para fazer uns trocados extras. E foi assim que eu perdi minha oitava lente de contato. Portanto, se vocês virem um bicho com oito patas que peça para falar com “Mamãe”, contatem-me.









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