27 de dezembro de 2010

Carrefour: A Taverna da Baguete.

- Manda mais um chocolate quente pra mim, e para essa linda garota ao meu lado! - Disse, apontando para a cadela, no sentido zoológico, que sentava-se ao meu lado. Meu nível de abstinência havia feito meus delírios aumentarem em proporções pitorescas, e tudo naquela antiga taverna parecia feito de aquarela manchada. Lancei então um jato do mais puro suco gastro-intestinal diretamente na donzela à minha frente, que por acaso, segurava firmemente um bebê.

- Senhor, por favor, retire-se. - Disse o ogro à minha frente, com um bastão ameaçador.
- Não sairei sem antes comer o meu feijão! Fazem quase três dias que não como feijão! E sabe o que mais? Você tem TETA.
- Alguém dê logo o feijão à esse lunático, para que possamos retirá-lo daqui! - Disse o ogro, com seu terno de palha, e seu capacete espacial.

Cinco minutos depois, deram-me o feijão, o qual comi com entusiasmo. Minha abstinência de feijão ia passando, e isso fez com que as pessoas à minha volta ficassem mais nítidas. O tal ogro era um segurança extremamente cabeçudo e sim, tinha tetas, a cadela era um edredom e a moça com o bebê... era, de fato, uma moça com um bebê. Ensopados em suco gastro-intestinal e sopa de letrinhas.

Aprumei-me e comecei a andar em direção à saída. Pouco depois de começar a andar, vi um homem vindo em minha direção. Um Viking. Em um barco Viking. Segurando uma taioba.

- Olá, cavaleiro! Eu te desafio para um combate Viking no mar! - Disse o Viking, brandindo ferozmente a taioba.
- Mas eu não tenho um barco. Nem uma taioba.
- Há um barco extra chegando, e você pode escolher sua arma.
- Ok. Então aceitarei o nobre desafio. E minha arma será a couve-flor! -Disse imponente, pegando uma grande couve-flor e colocando-a no cinto.
- Um tanto desigual, mas aceitarei. Minha taioba nunca perdeu uma luta se quer!

Então subi no barco extra, emparelhei com o meu inimigo, olhei-o nos olhos, dancei Boom Boom Dollar no DDR mais próximo e acenei com a cabeça. E a batalha começou.

A batalha começou feroz, as taiobas cortavam o casco do meu navio, e eu apenas podia revidar com bombas de couve-flor que não tinham a mesma eficiência. Após quase duas horas de batalha, uma pancada particularmente forte me fez cambalear. Olhei para traz para ver o motivo da pancada, e uma mulher com uma frigideira estava me olhando desmaiar.

Acordei deitado em asfalto, minutos depois, com várias pessoas me olhando. Uma leve fumaça aparecia no céu. Um duende azul me encarava, com seu gorro vermelho. Logo abaixo estava escrito "Carrefour". A mulher que me acertara com a frigideira estava ao meu lado. Ela segurava a frigideira firmemente e conversava com outra pessoa. Meu inimigo, que também parecia ter sido atingido.

- Que aconteceu? - Balbuciei.
- Ah, acordou. Me explica o que era aquilo lá dentro. - Disse a mulher. Ela tinha uma voz familiar.
- Era uma batalha viking, é claro. - Respondi, perguntando-me o que mais ela poderia ter pensado que era.
- Viking?! Vocês dois em cima de cachorros de rua no meio de um hipermercado jogando vegetais um no outro não é algo que eu chame de "viking". - Disse ela secamente. Definitivamente eu a conhecia.
- Hiper o quê? Não, aquilo é uma taverna, e tem um duende me olhando. - Disse, apontando para a criaturinha, que continuava a sorrir.
- Aquilo é o simbolo do hipermercado! É um C, de CARREFOUR. - Falou ela, levando as mãos à cabeça.
- Não, Carrefour pe a taverna em que eu estava. Carrefour, a taverna da Baguete. Todo mundo conhece. E de onde eu te conheço?
- Você trabalha comigo. E com ele. - Disse ela, apontando meu inimigo. - Garcez, sou eu, a Dutra. E esse é o Biancardine. Biancardine, solta minha bunda! - Falou ela, dando uma pancada seca na cabeça do Biancardine.
- Ah, claro. Bom, foi divertido. Aliás o que fumaça é essa?
- É a Rocha. Ela ia apagar as evidências e acabou se empolgando. Queimou o lugar todo. O bom é que eles nem se preocupam mais com vocês.
- Ótimo. Vou pra casa agora. - Disse, levantando-me, vestindo minha mochila a jato e ligando. - Até amanhã! - E dei a partida. Mas não voei.
- Garcez, - A Dutra estava com uma cara assassina - Isso aí é uma mochila comum, não tem foguete. E é minha. E você deixou cair tudo.

Com "tudo" ela se referia a um pacote de absorvente, alguns quilos de doces anti-crise da Losina e um jacaré.

- Hm... interessante. Bom, vou indo. - Saí andando, depois corri para evitar a mordida do jacaré.

Depois desse dia, todos os Carrefours um aviso proibindo a entrada de todos que trabalhem no Contos de Bar. Começamos a fazer batalhas vikings no Extra, todas as terças. Parece que eles não se importam tanto com o patrimônio próprio como os outros lugares. Ainda.


Isso Sempre será um duende sorrindo. Não importa o que digam

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