Era mais um dia normal no Contos de Bar: Os pássaros cantavam sua música de morte enquanto aguardavam-na flamejantes, o Sol implorava piedade, e o Paulo estava agachado em sua mesa, armas em mãos e bebidas no estômago. Eu estava na minha mesa, ouvindo o bom e velho Rock n’ Roll antes de mais um dia cheio de trabalho. Ou de fingir que estava trabalhando. O que vier primeiro.
O elevador abriu com um estalo, e a colunista Rocha entrou carregando uma rocha pelos cabelos. Ou então era o Antonelli. Se os dois casassem, tenho certeza que o Antonelli iria herdar o nome da Marina, então “Rocha” está certo. Enfim. Logo após os dois, a Dutra saiu, chamando a Losina e oferecendo-lhe um doce. Todo começo de dia, ela tinha que enganar a Losina a vir para o trabalho.
“Ah, Victor?” Dutra olhou para mim com certa indecisão.
“Sim?”
“Você… Já está no trabalho.”
“Sim, sim. Acordei aqui depois da bebedeira de ontem.”
“Ah. Bom, que bom. Assim me poupa o trabalho de ter que te enganar para vir também.”
Eu fiquei ofendido. Não por ela achar que tinha de me enganar para eu vir para o trabalho — eu fingia não vir de propósito justamente por que ela me “Enganava” com Jack Daniels —, mas por ela fazer tal processo com a Losina antes de fazê-lo comigo. Aquilo era sexista.
Subitamente, o Garcez entrou no escritório, apontando uma banana para nós. O Garcez fazia tudo subitamente, até mesmo estar em dois lugares ao mesmo tempo, como ele estava. Se bem que o Garcez com a banana era meio esquisito. Ele tinha uma barba.
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| Digamos que era este homem barbudo, só que menos engraçado, e com mais esquilos na calça. |
“Com licença?” Roxy perguntou ao outro Garcez, parecendo preocupada.
“EU FUMEI TRÊS PASSARINHOS ANTES DE ENTRAR AQUI!” O Outro Garcez gritou.
“Bom… Para você, acho, mas você não pode carregar armas neste escritório.” Ela já sabia da possível letalidade de uma banana.
“OS CORVOS QUEREM ROUBAR O MEU RIM!” O Outro Garcez — que de agora em diante chamarei de “Bob” — gritou.
“Não acho que corvos queiram roubar seus órgãos…” A Dutra mencionou fracamente, sendo imediatamente atacada pelo Bob, e nocauteada por sua banana inacreditavelmente resistente.
“Wow!” Gritei, me levantando e apontando minha arma para ele “Você pode fazer o que quiser com o Antonelli e o Garcez, Bob, mas se você tocar a mão na Roxy, na Losina ou na Dutra, você vai receber uma viagem de ida para a Terra de los Muertos, amigo.”
“MINHAS CALÇAS ESTÃO ROUBANDO PAULO COELHO!” Ele gritou, sua sabedoria aparente nos chocando.
“Escute, Bob. Abaixe a banana, e ninguém sai machucado.” Roxy tentou negociar com ele, apenas para levar uma bananada. No futuro, historiadores conheceriam este dia como o Grande Massacre das Bananas.
“Ok, Bob! Você foi longe demais!” Gritei, logo antes de tudo ficar escuro.
“Alô?” Abri os olhos, presumivelmente horas depois. Acima de mim, Dutra me observava preocupada “Sabe, se eu ganhasse um trocado para cada vez que acordo assim, eu teria…”
“Dois trocados?” Roxy disse, distante.
“Eu ia dizer quarenta e dois, mas dois também serve. Aonde estamos?” Olhei ao redor. Na escuridão, percebi a presença de Dutra, Roxy e Paulo.
“O que diabos aconteceu?” Perguntei à escuridão. Não houve resposta.
“Aquele louco barbado nos trancou no porão” Da escuridão. Não houve resposta da escuridão. Escuridões raramente respondem.
“O Bob?”
“Sim.”
“Mas ele parecia tão simpático…”
“ATENÇÃO ZEBUS MAL-TREINADOS!” Bob gritou pelo intercomunicador do prédio “VOCÊS TÊM ORDENS EXPLÍCITAS PARA CRUZAREM E PROGERIREM FILHOS FÉRTEIS!”
“Bem…” Me virei para Dutra, que estava ao meu lado “Sugiro que sigamos as instruções do Bob.”
“Fique longe de mim” ela ordenou de forma nada romântica. De vez em quando, até parece que ela não sente uma atração mortal por mim… Nah.
“Ninguém mais está preocupado sobre como ele conseguiu entrar no sistema de intercomunicação do prédio?” Paulo perguntou.
“Ninguém mais está preocupado que o Biancardine tirou as calças do terno dele?” Roxy perguntou.
“Bem, sobrinha, ele faz isso sempre, mas deu uma parada quando você entrou na equipe. E mais, ele provavelmente teve uma idéia de como nos tirar daqui.” Acenei concordando. Em seguida, amarrei a calça na grade que levava ao duto de ventilação do prédio, e puxei com força. Em meros segundos havia arrancado-o.
“Bom trabalho.” Disse para mim mesmo. “Salvou a todos nós.”
“A porta está destrancada.” Dutra disse, imediatamente cortando meu barato de McGyver.
“Mas por que?”
“Ele é um mendigo barbudo e insano. Trancar a porta deve ser a última de suas prioridades.” Roxy me explicou, mostrando uma apresentação de PowerPoint mal-feita para acompanhar.
Minutos depois — Bob havia cortado os cabos do elevador — Estávamos no escritório, vendo o mendigo girar no chão gritando com a alpaca. Antonelli estava preso no banheiro com o Garcez, e Rocha com a Losina no escritório de Paulo com as cortinas fechadas. Se eu tivesse que chutar, diria que eles estavam fornicando sob os desígnios de Bob.
Quase imediatamente, tirei a banana assassina das mãos de Bob, que gritou e atacou o Paulo, tentando morder suas orelhas. Olhando de perto, percebi que a banana era, de fato, de madeira. Bob safado, nos assaltando com uma arma de madeira!
“Sabe,” disse para Dutra, Roxy, e um Paulo completamente desesperado “gostei do Bob. O que dizem de deixarmos ele como nosso mascote humano levemente mais insano do que nós?”
“Por mim tudo bem.” Dutra concordou “Sempre estou procurando por mais gente para me ajudar na loja.”
“TIREM ESSE LUNÁTICO DE CIMA DE MIM!” Paulo gritou, provavelmente concordando.
“Contanto que eu não tenha que alimentá-lo, por mim tudo bem.” Roxy deu de ombros, concordando mais uma vez.
“GUALATEMALA ME VENDERAM OITENTA ESQUILOS NO MEU CÉREBRO!” Bob aceitou a nova moradia com entusiasmo — e oitenta esquilos.
“Pois bem, Bob, você vai dormir no escritório do Paulo!”
E então tudo ficou feliz e alegre, conforme eu entrava em um doce sono profundo patrocinado por uma dose nada saudável de licor de café injetada diretamente por um Paulo escandaloso e vingativo. O resto das aventuras, no entanto, são pornográficas demais para serem contadas aqui.









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