11 de novembro de 2010

Nova Presença no Escritório

- E não traga nenhum predador natural das alpacas! – disse ao colunista Biancardine, que partia para uma viagem... Para aonde não me importa, mas ele sempre volta com uma hiena ou um crocodilo para colocar embaixo da mesa de nosso editor, o Paulo. Alguns colegas acreditam que nós dois somos membros da máfia italiana, mas antes de começar a trabalhar (e morar) no Contos de Bar, nunca o havia encontrado antes. Ou isso é o que meu advogado Lorenzo me instruiu a dizer.

Me espreguicei na minha cama de casal convenientemente localizada ao lado da minha mesa na sala compartilhada pelos outros colunistas, e notei alguns olhares curiosos sobre mim. Ou pelo menos, muito molestadores. Nunca sei dizer a diferença.

Dutra e Garcez me encaravam de suas mesas, como que me questionando. Ou insinuando um ménage. Optei pela segunda possibilidade e acariciei o colchão do meu lado, indicando que o lugar estava livre, assim como a minha pessoa, e fiz a cara mais sexualmente apelativa que pude. De uma maneira nada erótica, Garcez se abaixou e vomitou violentamente. Acho que ele não estava pronto para tamanha sedução.

- Sabe, Bruno... – começou Victória, esfreguando as têmporas.
- Peraí... BLAAARGH!!! – respondeu Bruno Garcez, em meio aos seus jatos.
- Não você, o Antonelli! – continuou – Queremos saber. Aonde você conheceu a nova... Colunista?
- Ah, nada incomum... – respondi.
- Uhum... – murmurou, esperando que eu continuasse.
- Foi num pubzinho subterrâneo... – prossegui lentamente.
- Aonde? – perguntou, enquanto Garcez regava o chão com seu café da manhã.
- Nos meus anos no Iraque.
- Ah... QUÊ?! – exaltou-se, quase fazendo cair as orelhas de gato que Biancardine havia colado nela antes de sair. Quase.
- YAAAAAARG!!! – prosseguia Garcez, sempre adicionando palavras e cheiros tão doces aos nossos diálogos.
- O quê você fazia no Iraque, afinal? – perguntou minha colega felina.
- Se eu dissesse, teria que te matar. – respondi, fechando o rosto e eliminando qualquer clima de humor previamente existente.
- A-aham... É... Então foi... Num pub... No Iraque...
- E isso é tudo que precisa saber. – disse, encerrando o assunto.


Mas ele continuava.

Tirando pelos acessos finais de Garcez, que era limpado em tempo real pelo prestativo zelador Foster que o batia com o rodo a cada novo jato, todos ficaram em silêncio. Até ela entrar.

- SOCORRO, LUNÁTICA! – entrou se jogando ao chão o Sr. Esferográfica, nosso querido assistente voluntário... Que comete o engano de achar que um dia será pago.
- Cala a boca. – agora sim, ela entrou na sala. Marina Rocha, a nova colunista que eu havia indicado, e fora prontamente aceita pelo Paulo sobre o forte e inflexível argumento do revólver dela. – Agora, vai me buscar minha vodka ou não, “Canetinha”? – ela apontava sua arma.
- Alguém segure essa louca! – exclamou Sr. Esferográfica, que se deparou com o repentino clima de “não queremos morrer, não nos envolva, imbecil” por parte das pessoas ali presentes.
- Vodka! – ameaçou Rocha.
- POLÍCIA! – gritou o pobre Sr. Esferográfica, sentenciado com um disparo na coxa, que o fez cair na hora.
- Ótimo. Agora sinta a dor que eu sinto por não ter minha bebida!
- Sabe... – gemeu Sr. Esferográfica – Mais do que à minha perna, sua bala feriu meus sentimentos. – e desmaiou.

Enquanto Dutra levava o nosso assistente para o hospital e Garcez estava limpando sua camiseta no tanque do cubículo do zelador, troquei alguns cumprimentos com minha velha companheira de guerra, e trocamos alguns explosivos e materiais inflamáveis também. Ah, que saudades das cavernas perigosamente cheias de gases tóxicos daquela época...

Mas agora eu era um novo homem, e tinha o Larry, minha fiel mascote, para me apoiar.

- Hey, Bruno... – disse Rocha, interrompendo meus devaneios pós-guerra.
- Uh? O que foi? – respondi, totalmente distraído.
- Viu o material explosivo que eu havia deixado ao lado do pacote de rações da sua alpaca?
- Do lado do quê?

Você percebe que acordou com o pé esquerdo quando se dá conta que tem uma animal de grande porte perigosamente instável caminhando pelo prédio aonde trabalha.

- Eu é que não limpo merda inflamável de lhama. – concluiu a garota de cabelos curtos e negros, pulando pela janela ao ouvir as sirenes da polícia. É, o Sr. Esferográfica devia ter prestado sua queixa. Peguei o esfregão no canto da sala e fui limpar alguns dejetos, quando ouvi um baque surdo de uma explosão seguido por um "que merda foi essa?" pelo Garcez, no final do corredor. É, "merda" era a palavra certa.

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