Entrei no escritório com um sorriso estupidamente arrogante no rosto, exibindo meu novo all star azul. Sentei e coloquei minha bolsa no encosto da cadeira. Virei-me, esperando encarar o monitor, mas encarei a divisão branca que separava os cubículos. Baixei o olhar, vendo que meu computador, a luminária, textos e pertences estavam empilhados ordenadamente no chão. Percebi que além do sumiço da mesa, os colunistas não estavam ocupando seus habituais postos debaixo de escrivaninhas ou quebrando a janela minúscula do banheiro do quarto andar para criar mais uma saída de emergência em uma invasão alienígena.
Fui até Paulo, para comprovar que ele, inteligentemente, havia se trancado dentro da própria sala e se entretia, pelo que as persianas me deixavam ver, pendurando um aviso em letras garrafais ao lado de seu aquário que dizia: “Aviso desde já a toda a equipe integrante do Contos de Bar – especialmente os colunistas Biancardine e Antonelli – que esse aquário não é/não pode ser usado como um vaso sanitário e/ou um objeto para ser vendido em sites de compra.”
Preocupada com o desaparecimento de meus colegas (ou melhor dizendo, com o fim que eles dariam para minha mesa) iniciei minha busca, encontrando-os rapidamente. Estavam ao lado da máquina de café, numa cena absolutamente comum naquele ambiente: uma queda de braço entre a Losina e o Garcez, que era embalada por alguma música do Sex Pistols cantada pela Rocha, enquanto Biancardine e Antonelli discutiam o possível vencedor com Larry, Carlito, Foster e faziam apostas com Ramon.
Tossi. Nenhuma mudança sequer no comportamento deles. Tossi com mais força, e nada. Bufei.
- O Paulo está sendo dissecado por andróides dourados! – gritei, obtendo a atenção deles, que se decepcionaram pelo que eu acabara de dizer não ser verdade. – Sabe, caso vocês não tenham percebido, alguém aqui precisa da escrivaninha para trabalhar e... – parei de falar quando fixei o olhar nela.
Notei que havia um pedaço considerável faltando, provavelmente arrancado a dentadas, visto que Larry mastigava algo. Também observei que os pés da escrivaninha estavam arranhados, com marcas finas, mas profundas na madeira, estranhamente semelhantes as unhas de um gato. Algumas gavetas estavam abertas e exalavam um cheiro irritantemente doce. Vendo que minha presença era ignorada, coloquei meu pé direito ruidosamente sobre a mesa.
- Em primeiro lugar – me virei para Ramon, que contava animadamente o dinheiro que recebera pela aposta – Quero metade do que você recebeu por isso. – e apontei para Júlia e Garcez, que estavam concentrados.
- Pero... – o paraguaio começou uma defesa que me apressei a combater.
- A escrivaninha, ou melhor, essa coisa babada, mordida e cheirando a lavanda, ainda me pertence, e como eles estão apostando dentro dos limites das minhas posses, tenho direito a isso. Ele tentou falar algo, mas eu o cortei novamente. - Em segundo lugar, não sei o que fizeram a minha escrivaninha, mas é melhor...
- Gostei do novo all star. – Júlia disse, sem desviar o olhar.
- Obrigada, mas não é essa a questão.
- E qual seria, então? – o Garcez falou, também com o olhar fixo.
- A minha escrivaninha! Não posso trabalhar sem ela.
- Use uma das nossas. – ela completou, mostrando o quanto o açúcar a afetara aquela manhã.
- Mesas com objetos de procedência duvidosa e que não seguem o padrão recomendável de higiene (contendo baba de alpacas e/ou mexicanos, por exemplo) não são uma opção.
- Use a mesa do Paulo. – o Biancardine se manifestou.
- Da última vez que isso aconteceu eu quase acabei em Brasília com um machado na cabeça por ter explodido o computador dele.
- O que todos nós aceitamos como uma prova de sanidade mental. – a Marina disse, em meio a uma estrofe de alguma música da banda britânica.
- Não posso sair pra comprar uma mesa ou escrever em casa agora. Assim, atrasaria o prazo de entrega.
- E é para isso que seus companheiros de trabalho estão aqui. – Antonelli falou mais alegremente do que o normal. Talvez ele tenha pegado um dos pirulitos de escstasy da Júlia de novo.
- Vocês vão comprar...? – aquela oferta era tão claramente não-ortodoxa. Quando comecei a negar com a cabeça, os cinco murmuraram, juntos:
- Nós pagamos. – e assim que acabaram correram em direção ao elevador.
Malditos que recorriam ao meu ponto fraco...Não que eu fosse pagar por uma mesa, de qualquer maneira. Apenas deixaria a conta para um dos assistentes, o Sr. Esferográfica, do qual não me recordo do nome, no momento. Tirei o pé da mesa e estendi uma das mãos para Ramon que, murmurando uma ofensa qualquer em espanhol, me deu metade do dinheiro. Guardei as notas no bolso das calças, arregacei as mangas e comecei a desligar os cabos do velho computador branco e trazê-lo para o banheiro, onde o equilibrei em cima do vaso sanitário (com a tampa fechada, obviamente) e pedindo emprestado um tripé que Foster tinha em sua mini-sala. Passei a tarde toda lá, saindo apenas para pegar um pouco de ar puro (leia-se: desinfetar o banheiro após Ramon ter tido uma indigestão, por causa de uns nachos, e borrifar um cheirinho agradável de hortelã no ar).
Quando digitei a última palavra da coluna abri a porta do banheiro em sinal de comemoração, respirando a maior quantidade de ar puro e sem cheiro de hortelã que eu podia. Vi um bilhete pregado na porta. Ele dizia: “Sua nova escrivaninha chegou. Divirta-se” seguido de algumas assinaturas e desenhos de um coala ou uma alpaca. Nem desconectei os fios novamente, só fui até meu cubículo, esperando que a mesa nova não estivesse encharcada de líquidos inflamáveis.
Meus olhos ficaram semicerrados, um leve tremor nos meus lábios fazia meus dentes rangerem alto, as mãos fechadas em punhos, as unhas apertando a pele com tal força que, se alguma viva alma estivesse por perto diria que vira uma gotinha ínfima de sangue sair. Enchi meus pulmões e berrei o mais alto que pude. Logo os cinco culpados vieram ao meu encontro, com copinhos de café e uma garrafinha de vodka.
- Sentem-se. – mandei.
- Sabe, Vi, ninguém aqui é...- Júlia começou, mas desistiu ao ver meu olhar e sentou-se no chão.
Peguei minha bolsa e tirei dela um dicionário. Abri em uma página qualquer.
- Leiam isso. – indiquei um termo do dicionário.
- “Meroplâncton pode ser definido com a fase sazonal do plâncton, formada pelas larvas de...” – Garcez leu mecanicamente.
- Não isso, o que está escrito em baixo!
- “Mesa”.– ele começou.
- Continue.
- “Móvel, em geral de madeira, sobre o qual se come, escreve, trabalha, etc”.
- Então vocês sabem o que é uma mesa. E sabem que é bem diferente disso! – gritei, apontando para uma canoa listrada de preto e branco, com um par de remos, que agora ocupava o local da minha antiga mesa-escrivaninha.
- Que também pode ser utilizada como mesa. – Antonelli esclareceu.
- Eu disse que era melhor comprar o bote salva-vidas. – Júlia falou, balançando a cabeça.
- Não seja tão limitada, Dutra. – a Marina falou, bebendo um gole da garrafinha. - Uma canoa, assim como uma mesa, supre todas as suas necessidades alimentícias, de trabalho e de sono. Além de ser um excelente meio de transporte.
- Todos nós sentimos a obrigação de te comprar uma canoa, especialmente depois do que a Losina falou sobre você não saber nadar. – Biancardine completou.
Percebendo que aquela discussão era infrutífera, tentei controlar meus nervos e lembrei de agradecer mentalmente por não ser chefe deles. Caso Paulo se deparasse com uma canoa bicolor em sua sala, era capaz de se demitir (o pobre diabo sofre nas nossas mãos, devo admitir).
Voltei para o banheiro e trouxe o computador ao seu novo lar. Ajeitei-o num dos assentos vagos, coloquei meus pertences em outro e sentei no acento do meio. Fui para casa refletindo algum uso construtivo para a canoa.
Na manhã de sábado Paulo chegou ao escritório murmurando um “bom dia” e pegando o extintor de incêndio do quarto andar. No caminho para sua sala, ele pode jurar que ouvia uma cantoria. Ao se aproximar, porém, teve certeza.
- Ao invés de cantar músicas do Queen, vocês deviam estar traba... – a voz do Editor morreu quando ele contemplou uma cena jamais vista antes no escritório dos Contos de Bar.
Todos os colunistas, sem exceção, estavam dentro da canoa e trajavam roupas que lembravam piratas. Havia até uma vela negra improvisada com o rosto de Paulo agonizante ao lado de uma caveira.
- Yo Ho, Yo Ho, a pirate's life for me…! We pillage, we plunder we rifle and loot…
- Remem, seus cães sarnentos! – Biancardine interrompeu a cantoria, indicando algo perto do corredor. Dei um tapa no braço dele e tirei o chapéu de capitão azul-anil com uma pluma branca que ele roubara de mim.
- Volte ao seu posto, marujo. Tripulação dos Contos de Bar! - – me ergui, ficando numa das pontas da canoa. Desembainhando uma espada Jedi, apontei para a máquina de café no final do corredor. – Remem e cantem!
- Sim, capitã! – os demais colunistas, pela primeira vez desde o meu ingresso no escritório, me obedeceram, pegaram os remos e, de uma maneira nada convencional, remaram até nossa arca do tesouro de cafeína, cantando. - Yo Ho, Yo Ho, a pirate's life for me...! We pillage, we plunder we rifle and loot...! Drink up me hearties, yo ho...! We kidnap and ravage and don't give a hoot...! Drink up me hearties, yo ho...!Yo Ho, Yo Ho, a pirate's life for me!
- Não se afoguem no meio do caminho! – Paulo disse, sorrindo contrariado. Ele avistou alguém correndo furiosamente na outra ponta do corredor. Como um bom chefe, ele se refugiou, sabiamente, em sua sala, entretanto, não suficientemente a tempo para deixar de ouvir o grito do Sr. Esferográfica:
- Que?! – disse, indignado. – Mas quem pegou... – ia concluir, mas começou a chorar, se sentando em posição fetal e se balançando, enquanto soluçava algo como “Eu fiz faculdade! Eu mereço mais do que isso!”.
Fui até Paulo, para comprovar que ele, inteligentemente, havia se trancado dentro da própria sala e se entretia, pelo que as persianas me deixavam ver, pendurando um aviso em letras garrafais ao lado de seu aquário que dizia: “Aviso desde já a toda a equipe integrante do Contos de Bar – especialmente os colunistas Biancardine e Antonelli – que esse aquário não é/não pode ser usado como um vaso sanitário e/ou um objeto para ser vendido em sites de compra.”
Preocupada com o desaparecimento de meus colegas (ou melhor dizendo, com o fim que eles dariam para minha mesa) iniciei minha busca, encontrando-os rapidamente. Estavam ao lado da máquina de café, numa cena absolutamente comum naquele ambiente: uma queda de braço entre a Losina e o Garcez, que era embalada por alguma música do Sex Pistols cantada pela Rocha, enquanto Biancardine e Antonelli discutiam o possível vencedor com Larry, Carlito, Foster e faziam apostas com Ramon.
Tossi. Nenhuma mudança sequer no comportamento deles. Tossi com mais força, e nada. Bufei.
- O Paulo está sendo dissecado por andróides dourados! – gritei, obtendo a atenção deles, que se decepcionaram pelo que eu acabara de dizer não ser verdade. – Sabe, caso vocês não tenham percebido, alguém aqui precisa da escrivaninha para trabalhar e... – parei de falar quando fixei o olhar nela.
Notei que havia um pedaço considerável faltando, provavelmente arrancado a dentadas, visto que Larry mastigava algo. Também observei que os pés da escrivaninha estavam arranhados, com marcas finas, mas profundas na madeira, estranhamente semelhantes as unhas de um gato. Algumas gavetas estavam abertas e exalavam um cheiro irritantemente doce. Vendo que minha presença era ignorada, coloquei meu pé direito ruidosamente sobre a mesa.
- Em primeiro lugar – me virei para Ramon, que contava animadamente o dinheiro que recebera pela aposta – Quero metade do que você recebeu por isso. – e apontei para Júlia e Garcez, que estavam concentrados.
- Pero... – o paraguaio começou uma defesa que me apressei a combater.
- A escrivaninha, ou melhor, essa coisa babada, mordida e cheirando a lavanda, ainda me pertence, e como eles estão apostando dentro dos limites das minhas posses, tenho direito a isso. Ele tentou falar algo, mas eu o cortei novamente. - Em segundo lugar, não sei o que fizeram a minha escrivaninha, mas é melhor...
- Gostei do novo all star. – Júlia disse, sem desviar o olhar.
- Obrigada, mas não é essa a questão.
- E qual seria, então? – o Garcez falou, também com o olhar fixo.
- A minha escrivaninha! Não posso trabalhar sem ela.
- Use uma das nossas. – ela completou, mostrando o quanto o açúcar a afetara aquela manhã.
- Mesas com objetos de procedência duvidosa e que não seguem o padrão recomendável de higiene (contendo baba de alpacas e/ou mexicanos, por exemplo) não são uma opção.
- Use a mesa do Paulo. – o Biancardine se manifestou.
- Da última vez que isso aconteceu eu quase acabei em Brasília com um machado na cabeça por ter explodido o computador dele.
- O que todos nós aceitamos como uma prova de sanidade mental. – a Marina disse, em meio a uma estrofe de alguma música da banda britânica.
- Não posso sair pra comprar uma mesa ou escrever em casa agora. Assim, atrasaria o prazo de entrega.
- E é para isso que seus companheiros de trabalho estão aqui. – Antonelli falou mais alegremente do que o normal. Talvez ele tenha pegado um dos pirulitos de escstasy da Júlia de novo.
- Vocês vão comprar...? – aquela oferta era tão claramente não-ortodoxa. Quando comecei a negar com a cabeça, os cinco murmuraram, juntos:
- Nós pagamos. – e assim que acabaram correram em direção ao elevador.
Malditos que recorriam ao meu ponto fraco...Não que eu fosse pagar por uma mesa, de qualquer maneira. Apenas deixaria a conta para um dos assistentes, o Sr. Esferográfica, do qual não me recordo do nome, no momento. Tirei o pé da mesa e estendi uma das mãos para Ramon que, murmurando uma ofensa qualquer em espanhol, me deu metade do dinheiro. Guardei as notas no bolso das calças, arregacei as mangas e comecei a desligar os cabos do velho computador branco e trazê-lo para o banheiro, onde o equilibrei em cima do vaso sanitário (com a tampa fechada, obviamente) e pedindo emprestado um tripé que Foster tinha em sua mini-sala. Passei a tarde toda lá, saindo apenas para pegar um pouco de ar puro (leia-se: desinfetar o banheiro após Ramon ter tido uma indigestão, por causa de uns nachos, e borrifar um cheirinho agradável de hortelã no ar).
Quando digitei a última palavra da coluna abri a porta do banheiro em sinal de comemoração, respirando a maior quantidade de ar puro e sem cheiro de hortelã que eu podia. Vi um bilhete pregado na porta. Ele dizia: “Sua nova escrivaninha chegou. Divirta-se” seguido de algumas assinaturas e desenhos de um coala ou uma alpaca. Nem desconectei os fios novamente, só fui até meu cubículo, esperando que a mesa nova não estivesse encharcada de líquidos inflamáveis.
Meus olhos ficaram semicerrados, um leve tremor nos meus lábios fazia meus dentes rangerem alto, as mãos fechadas em punhos, as unhas apertando a pele com tal força que, se alguma viva alma estivesse por perto diria que vira uma gotinha ínfima de sangue sair. Enchi meus pulmões e berrei o mais alto que pude. Logo os cinco culpados vieram ao meu encontro, com copinhos de café e uma garrafinha de vodka.
- Sentem-se. – mandei.
- Sabe, Vi, ninguém aqui é...- Júlia começou, mas desistiu ao ver meu olhar e sentou-se no chão.
Peguei minha bolsa e tirei dela um dicionário. Abri em uma página qualquer.
- Leiam isso. – indiquei um termo do dicionário.
- “Meroplâncton pode ser definido com a fase sazonal do plâncton, formada pelas larvas de...” – Garcez leu mecanicamente.
- Não isso, o que está escrito em baixo!
- “Mesa”.– ele começou.
- Continue.
- “Móvel, em geral de madeira, sobre o qual se come, escreve, trabalha, etc”.
- Então vocês sabem o que é uma mesa. E sabem que é bem diferente disso! – gritei, apontando para uma canoa listrada de preto e branco, com um par de remos, que agora ocupava o local da minha antiga mesa-escrivaninha.
- Que também pode ser utilizada como mesa. – Antonelli esclareceu.
- Eu disse que era melhor comprar o bote salva-vidas. – Júlia falou, balançando a cabeça.
- Não seja tão limitada, Dutra. – a Marina falou, bebendo um gole da garrafinha. - Uma canoa, assim como uma mesa, supre todas as suas necessidades alimentícias, de trabalho e de sono. Além de ser um excelente meio de transporte.
- Todos nós sentimos a obrigação de te comprar uma canoa, especialmente depois do que a Losina falou sobre você não saber nadar. – Biancardine completou.
Percebendo que aquela discussão era infrutífera, tentei controlar meus nervos e lembrei de agradecer mentalmente por não ser chefe deles. Caso Paulo se deparasse com uma canoa bicolor em sua sala, era capaz de se demitir (o pobre diabo sofre nas nossas mãos, devo admitir).
Voltei para o banheiro e trouxe o computador ao seu novo lar. Ajeitei-o num dos assentos vagos, coloquei meus pertences em outro e sentei no acento do meio. Fui para casa refletindo algum uso construtivo para a canoa.
Na manhã de sábado Paulo chegou ao escritório murmurando um “bom dia” e pegando o extintor de incêndio do quarto andar. No caminho para sua sala, ele pode jurar que ouvia uma cantoria. Ao se aproximar, porém, teve certeza.
- Ao invés de cantar músicas do Queen, vocês deviam estar traba... – a voz do Editor morreu quando ele contemplou uma cena jamais vista antes no escritório dos Contos de Bar.
Todos os colunistas, sem exceção, estavam dentro da canoa e trajavam roupas que lembravam piratas. Havia até uma vela negra improvisada com o rosto de Paulo agonizante ao lado de uma caveira.
- Yo Ho, Yo Ho, a pirate's life for me…! We pillage, we plunder we rifle and loot…
- Remem, seus cães sarnentos! – Biancardine interrompeu a cantoria, indicando algo perto do corredor. Dei um tapa no braço dele e tirei o chapéu de capitão azul-anil com uma pluma branca que ele roubara de mim.
- Volte ao seu posto, marujo. Tripulação dos Contos de Bar! - – me ergui, ficando numa das pontas da canoa. Desembainhando uma espada Jedi, apontei para a máquina de café no final do corredor. – Remem e cantem!
- Sim, capitã! – os demais colunistas, pela primeira vez desde o meu ingresso no escritório, me obedeceram, pegaram os remos e, de uma maneira nada convencional, remaram até nossa arca do tesouro de cafeína, cantando. - Yo Ho, Yo Ho, a pirate's life for me...! We pillage, we plunder we rifle and loot...! Drink up me hearties, yo ho...! We kidnap and ravage and don't give a hoot...! Drink up me hearties, yo ho...!Yo Ho, Yo Ho, a pirate's life for me!
- Não se afoguem no meio do caminho! – Paulo disse, sorrindo contrariado. Ele avistou alguém correndo furiosamente na outra ponta do corredor. Como um bom chefe, ele se refugiou, sabiamente, em sua sala, entretanto, não suficientemente a tempo para deixar de ouvir o grito do Sr. Esferográfica:
- Que?! – disse, indignado. – Mas quem pegou... – ia concluir, mas começou a chorar, se sentando em posição fetal e se balançando, enquanto soluçava algo como “Eu fiz faculdade! Eu mereço mais do que isso!”.
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| Minha canoa-escrivaninha, encontrada horas depois, em algum ponto do Rio Amazonas |









Um comentário:
"Pirulito de ecstasy" soa erótico.
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