10 de novembro de 2010

Um beco, Um cadáver e Uma temporária Dark.

O beco era úmido, escuro e tenebroso. O vento estava arranhando os tijolos velhos e mal encaixados pelos muros estreitos. Passos. São passos, está escutando? Isto significa que alguém vem aí. Ou apenas que você está paranóico, mas consideremos a primeira opção. A jovem de cabelos curtos, esfiapados e negros veste um sobretudo preto, all-star, camisa dos Sex Pistols rasgada e maquiagem forte no rosto, sempre com seu toque de batom rubro nos lábios, um contraste bruto com a sua pele pálida. Parou seus passos na saída do beco, onde um pedestre a encarava. Ela não sabia dizer se era pelo fato de sua vestimenta incompatível com seu rostinho de criança, ou se era pelo fato dela carregar um revólver em sua mão... Ou pela mania estranha da moça narrar tudo o que acontecia em voz alta. Ela tinha nas mãos apenas a capa de um violão, e um papel amassado. Teve a brilhante idéia de anotar o endereço, já que era sempre tão esquecida. Levantou o papel e espremeu os olhos pra enxergar. A tática teria funcionado se ela tivesse se lembrado de usar uma caneta para escrever.
Aproximou-se do pedestre, que de perto parecia algum tipo de marginal, com a intenção de se informar...
-Ah, senhor... – Ela disse em tom meigo demais para a forma como se vestia.
-Moça, eu to escutando você tagarelar desde o beco, até me chamar de marginal. Quer por favor me dizer o que infernos você quer?
-Ah, eu to procurando o escritório do Contos de Bar. Parece que sou a colunista temporária...
- Parece que é? Você não sabe?
- Veja bem senhor, que a carta me foi entregue por algum tipo de lhama. Me distraí com o barulhinho telefônico que o bicho fazia e ele acabou babando em todo o papel, antes que eu pudesse lê-lo. Tentei anotar o que eu tinha entendido em outro papel, mas o camelo sem corcovas/ lhama / alce sem chifres ou eu sei lá que porra era aquela tinha comido minhas canetas e metade do meu fax.
- Eu até gostaria de te ajudar... Mas eu não faço idéia do que você ta falando!
A garota sorriu sem jeito, pois nunca foi boa com interações sociais, e o pedestre marginal a encarava, provavelmente querendo explicações. A jovem segurou a arma em seu bolso e...
- Você ainda continua tagarelando! E, VOCÊ TÁ ARMADA?!
-Senhor, por favor, acalme-se, eu só quero uma informaç...
- SOCORRO!!! SOCORRO, UMA PSICOPATA!
A jovem então puxa o revólver de seu sobretudo e finaliza o tal sujeito com 5 tiros em suas costas, não dando-lhe tempo nem para agonizar um segundo a mais.
-Agh... M-maldita...
Ou apenas mais alguns segundos. Mas a morte de um pedestre marginal nesse caso é irrelevante...
-E-eu não s-sou um marginal, sou um p-pai de famíl...
-Cacete, você não morre?
E a jovem dispara mais algumas vezes no relutante marginal, até que este deixe de se mover, tornando-se apenas uma fria carcaça humana...
-Homens, hunf... Odeiam passar informações. Ou o ditado era outro? Ah, enfim!
A jovem abaixa-se ao lado do corpo, e de seu bolso, retira um isqueiro metálico e quadrado, com a bandeira da Inglaterra, o qual torna-se seu instrumento para atear o devido fogo ao cadáver. Todo trabalho deveria ser bem feito.
Neste momento, um jovem de cabelos aos ombros, e um andar avoado, trajado de uma jaqueta, e uma camiseta do Ramones, passou pela incendiária, que estava agachada, aquecendo-se ao fogo decrépito, uma vez que a noite era tão fria e ela estava solitária. A garota sorriu com naturalidade, mas o corpo em chamas não parecia deixar o novo presente a vontade.
- É um corpo então!!! O que você fez?!
- Não precisa fazer escândalo. Eu precisava me aquecer e ele não tinha quaisquer informações. Pelo menos achei uma utilidade pro rapaz, fique feliz por isso.
-F-feliz... M-mas!! Kh!
-Deixe de grunhir, foi bom que nos encontramos, Darling. Eu estava de fato precisando de informações para chegar ao Contos de Bar.
-Mas eu mandei o Larry entregar o endereço para você!
-Tudo o que eu recebi foi um bicho peludo com toques polifônicos e baba de camelo.
-É uma alpaca!! Godammit!
-Ah, meu Deus, assim, nunca poderei me apresentar para o serviço... Então, você não tem as informações?
A jovem colocou as mãos no bolso uma outra vez. Tentou não pensar que pegaria a arma, pois assim seu plano não seria descoberto...
-Você sabe que eu posso escutar o que você está dizen... ah, deixa pra lá. Vamos, é por ali, naquele prédio com uma janela em chamas.
-Hum, chamas... – a garota pareceu lamber seus rubros lábios e sorrir para si mesma, tomando o violão em suas mãos pequeninas.
-Hei, nada de tacar fogo no Larry.
-Ah, não se preocupe, colega... Para mim, Todo Trabalho Deve Ser Bem Feito...
E o isqueiro metálico estalou cheio de desejo e aquele líquidozinho que serve para botar fogo nas coisas.

Eu meio que precisei pedir informações para mais pessoas antes de chegar ali.

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