20 de novembro de 2010

O Duelo no Escritório

- Nada como um grande copo de leite. – Foi a minha primeira frase no escritório, assim que me estiquei para relaxar após um longo dia de trabalho. Pode parecer estranho mas o dia estava absolutamente normal. Não havia sinal de alpaca, o Antonelli havia cortado a barba, o Biancardine estava sóbrio e até a Losina havia parado um pouco com sua mania de doces e colocado uma roupa decente.

Alguns minutos olhando para a minha mesa, percebi que o Paulo vinha na minha direção. Parecia estar mais calmo e com menos queimaduras. Encostou-se na minha mesa e olhou diretamente para mim.

-O que você está fazendo aqui? – Perguntou seriamente.
- Trabalhando, chefinho. – Eu disse, sorrindo.
- Mas aqui é um escritório de advocacia e você não parece advogado. Sabe, você está vestindo uma armadura.
- Em que andar estamos?
- Oitavo.
- Obrigado. – Foi a última palavra que ele ouviu antes de eu nocauteá-lo com a minha maça e chamar o elevador.

Ao chegar no quarto andar, fui recebido por uma lambida de alpaca. Me senti em casa novamente.

Quando sentei-me em minha cadeira, vi que o Antonelli me encarava. Preparei meu taco de beisebol e encarei-o de volta. Ele se aproximou e sentou-se em cima do zelador, que estava limpando o local em que Biancardine acabara de vomitar.

- Garcez. – Ele disse.
- Fale, Antonelli.
- Te desafio para um duelo.
- Aceito.

Eu já estava de armadura, Antonelli colocou a dele. Ele subiu na Alpaca e ameaçou-me com a borracha. Eu sentei no Sr. Esferográfica e ameacei-o com um cotonete. Ambos gritamos nossos gritos de guerra especiais para duelos.

- SHIRUPIAUÊ DE TETA! – Gritou Antonelli com todo o fôlego de seus pulmões debilitados pelo fumo.
- MACACO PREGO! – Gritei enquanto fazia uma dança hindu.

Partimos então um de encontro ao outro. Eu com meu cotonete e Antonelli com sua borracha. Poucos centímetros antes de nos colidirmos, Paulo entrou no meio da luta. O Sr. Esferográfica bateu a cabeça no estômago de Paulo, eu consegui pular de suas costas, e ambos se chocaram com a alpaca Larry, de onde Antonelli também conseguiu pular. Os três continuaram rolando até chegar na na sala do Paulo, onde Larry caiu em cima do aquário recém comprado, o Sr. Esferográfica colidiu com a estante de livros que quebrou a janela de Paulo na queda, janela pela qual Paulo saiu voando poucos segundos depois. Na queda, Paulo caiu em cima de um carro em chamas, obra da Rocha.

- É impressionante como vocês dois fazem um duelo e são os únicos do prédio que saem ilesos. – Disse a Dutra, que nos culpava por ter batido a cabeça no vaso sanitário sem motivo aparente.

- É um dom. – Eu disse.
- É uma bênção. – Completou Antonelli.
- É JESUS! – Um evangélico qualquer tentou emendar os assuntos e foi despachado por Biancardine e seu taco de críquete.

Alguns minutos se passaram até que a Rocha subiu no escritório trazendo uma pessoa meio chamuscada e desacordada.

- Ele se jogou em cima do carro que eu estava usando. De quem foi a culpa? – Perguntou ela, enquanto jogava o resto do Paulo num cesto de lixo.
- Eles estava fazendo um duelo. – Respondeu a Dutra sem levantar a cabeça enquanto apontava para mim e o Antonelli.
- Duelo? Ao menos vocês tinham um juiz? – Perguntou a Rocha, sabiamente.
- Eu sabia! Eu sabia que a gente tinha esquecido algo Antonelli. O juiz! – Falei tudo enquanto pulava em cima do desmaiado Sr. Esferográfica e roubava sua carteira.
- Quem pode ser o juiz? O Biancardine? – Perguntou Antonelli.
- Não, tem que ser alguém de fora. Eu já sei o que vamos fazer hoje, Ferb. – Falei, colocando o casaco.
- O que, Cérebro? – Questionou Antonelli, colocando sua pele de alce.
- O mesmo de todas as noites: Capturar pokémons! – Disse, pegando-o pelo cabelo e saindo correndo para o elevador.

Ao sair do prédio, começamos a procurar um juiz. Qualquer pessoa que tivesse cara de juiz. E um pastel. Andamos pela cidade por quase meia hora sem sucesso, até que o Antonelli resolveu procurar as pessoas dentro de um shopping. Como sou proibido de entrar em todos os shoppings do país por destruí-los, Antonelli foi sozinho. Cerca de oito minutos depois, ele voltou com um homem meio velho, com bigode, camisa amarela e uma gravata borboleta vermelha, além de um penteado meio Elvis Presley grisalho.

- Achei nosso juiz. – Disse ele, apresentando o homem, que convenientemente se chamava Senhor Juiz.


O Senhor Juiz.

Voltamos então para o escritório, Antonelli voltou a subir na alpaca e eu voltei a subir nas costas do Sr. Esferográfica. O Senhor Juiz colocou-se entre nós.

- Preparados? Vamos lá, LUTEM! – Ele falou.

PÁ! O Senhor Juiz caiu desmaiado no chão. Logo atrás dele estava a Dutra com uma raquete de tênis quebrada pelo impacto com a cabeça do Senhor Juiz.

- Mas ele falou “lutem” – Falou ela rapidamente, percebendo que todos a encaravam.
- É essa coisa de duelo não vai rolar – Falou o Antonelli, descendo da Alpaca.
- Ok, vamos pro bar então. A carteira dele é minha – Concluí, enquanto descia do Sr. Esferográfica e andava em direção ao desacordado Senhor Juiz.

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