12 de janeiro de 2011

O Agente "Bond" Cama e Eu.

Eu estava ali.
Hey, não me olhe como se eu tivesse dito algo ridiculamente óbvio. Quando se está enxugada de bêbada, o ser e o não ser são tão abstratos quanto... Hamlet bêbado. E também não desmereça minhas frases de efeito, desafortunado leitor. Esteja satisfeito que pode me compreender, mesmo que esteja completamente bêbada. Um drinque a isto.
Como eu ia dizendo, antes de ser rudemente interrompida por um acesso lunático típico de escritores carentes que acham que é super descolado falar com seu leitor... Eu estava ali.
Tinha meu fiel par de all star preto apoiado em cima de minha mesa, posicionada no canto mais escuro do escritório. A lua daquela noite sombria, como toda noite de clímax suspeito deve ser, brilhava foscamente através da vidraça suja, permitindo que a barra de meu sobretudo, e apenas ela, se tornasse visível ante a cortina de fumaça que emanava de meu cigarro.
Sim, eu estava bêbada e fumando. E escutando Pink Floyd. É eu sei, isso pode despertar inveja em alguns, mas não se preocupe. Eu sempre fiz merdas o suficiente para anular qualquer tipo de inveja recaída sobre mim. E queimei as provas depois, claro.

Escutei passos ocos estalando no solado do escritório vazio. Cerrei os olhos negros de lápis e retirei o cigarro de minha boca avermelhada. Levei os pés ao chão e debrucei-me na escrivaninha. Meus curtos cabelos negros roçaram em minha pele pálida, enquanto uma silhueta aproximava-se de mim. Nessa hora, meu querido Pink Floyd cessou. Chutei a merda da caixa de som, e a música “What Do You Want From Me” voltou a irromper pelo local. A silhueta se revelou através da fumaça de meu Black, e acreditem quando eu digo, extorquido do diabo.
Era uma jovem esbelta, alta, pele morena. Usava um top provocativo, que valorizava seus avantajados seios. Suas curvas bem delineadas se revezavam a cada passo que ela dava, enquanto parecia rebolar de propósito. Seu cabelo black power brilhava como glitter. E aí eu percebi. A jovem... Era a Beyonce Knowles.

É bem pior pessoalmente

- Mas o quê diabos...?! Beyonce?! – Rosnei, esguichando umas gotas de vodka pra fora da boca. Para os leitores que não sabem (e acreditem, também não valia a pena saber) Beyonce Knowles é uma “diva” da black music atual. Nada relevante claro. Espero que eu tenha me feito entender que ODEIO black music atual.

- Eu não sou Beyonce, Srta. Rocha. Meu nome é Foxxy. Foxxy Cleopatra! – E então ela estalou os dedos no ar, daquele jeito estranho e arrogante que somente o povo do Bronx faz. Beyonce acha que às vezes sabe representar, quando não sabe.

- Foxxy Cleopatra? Do Austin Powers? – Ergui uma sobrancelha. Essa já é a segunda palavra estranha que a miss. Knowles, ou “Cleopatra” me fazia usar. Primeiro foi cotovelos. E agora sobrancelha. Qual será a próxima? Virilha? Hum, espero que sim.

- Ah, então a Srta. já conhece o senhor Powers? – Ela entonou a voz. Austin Powers, meus bem aventurados leitores, é um longa metragem produzido e estrelado por Mike Myers, que satiriza a espionagem da década de 60. Austin é, portanto, um espião britânico psicodélico e “comelão” além de completamente atrapalhado.

- Sim, das telas de cinema, de meus DVDs e sonhos pessoais... Digo... Sim, conheço.

- Não se preocupe broto, não é crime sonhar comigo. – E então, da mesma cortina de fumaça produzida por meu cigarro que a Beyonce perturbada apareceu, Sir Austin Danger Powers se revelou, com um sorriso amarelo e completamente torto, a marca típica de todo homem britânico. E mulher. E criança. E hamster... Enfim!

- Mike Myers?! – Eu gritei, alarmada, deixando o cigarro cair no chão. Deparar-me com a Beyonce não era nada demais, mas o Mr. Myers sempre foi um gênio humorístico.

- O nome é Powers, broto. Austin Powers, mora? – E me deu uma piscada romântica e sensual. Preciso comentar que meu estômago chutou meu rim e virou do avesso, de tão revoltado.

Ce-du-ção

- Ah, claro, desculpe Mr. Powers pela minha indiscrição. – Levantei-me da mesa, entrando na brincadeira. Quando Mike Myers entra em seu escritório vestido de um terno de camurça dos anos 60, você não discorda de nada, querido leitor. Leve esta lição por toda a sua vida.

- Temos um problema e não sabemos mais a quem recorrer. – Foxxy se pronunciou, ainda parecendo com a Beyonce.

- E então, de todo a gama de detetives do mundo fictício, vocês decidem recorrer
justo a mim?

- Bem, é o seu conto Srta. Rocha, não tivemos muita escolha. – Ele retrucou. É a cantora de quinta com o black power tinha razão. E acredite, me dói saber que já afirmei isso.

- Muito bem então, em que posso ajudar?

- É o Dr. Evil. Ele roubou o meu Mojo. – Austin se aproximou, um tanto inseguro. Para aqueles que não sabem... O Mojo ao que este espião atrapalhado se referia era algo parecido com gozo, mas muito mais psicodélico. E que parecia dar a ele o poder de conquistar mulheres.

- Dr... Evil? Mas... Mr. Myers, digo! Austin! Eu não entendo… - No longa original, Mike Myers interpreta o vilão e o mocinho, sendo então, na vida real, a mesma pessoa obviamente. Mas obviamente, eu estava redondamente enganada.

- É bem óbvio o que devemos fazer, Srta. Rocha – Foxxy se pronunciou, tornando meus pensamentos anteriores um tanto redundantes.

- Temos que pegá-lo e recuperar meu Mojo! – Sir Powers completou o raciocínio.

- Mas precisamos de um veículo apropriado. – Esse foi meu primeiro pensamento. Uma coisa que aprendi em todo caso é sempre ter um veículo apropriado. Não importa a merda que for, o caos que estiver... Você sempre pode fugir, ou atropelar.

- Muito bem então! Para o Shagar! – E ele apontou para a janela, para seu carro “apropriado”.

"Shaguar"

- É, boa sorte pra vocês. Eu vou no meu trailer mesmo. A Máquina do Mistério nunca me deixou na mão. – E os acompanhei até a saída.

- Yeah Baby! – Austin balançava os braços no ar como uma espécie de Dança do Pênis. Mas pelo menos estava vestido. Deus salve a Rainha por isso. E apenas por isso.

Descemos os oito lances de escada, pois eu temia estar em um elevador com aqueles dois malucos dos anos 60, que na verdade eram só dois malucos famosos que achavam que eram espiões dos anos 60. Atravessamos a rua e Austin e Foxxy entraram no antigo Jaguar, enquanto eu abria a cabine de meu trailer e sentei do banco do motorista.
Fechei a porta e escutei risadinhas atrás de mim, do tipo infantil. Respirei fundo três vezes. Contei até 10, mas lembrei que estava bêbada e reparei que só tinha contado mesmo os números primos até 10. Depois lembrei que eles não existiam e desisti. O que me fez esquecer o porquê eu estava contando aquelas merdas de números.

- Um “boa noite” seria pelo menos apropriado, não? – Um ronronar felino, baixo e rouco se fez presente na parte traseira de meu trailer, e eu então me virei.

A cena a seguir, caros leitores, eu posso dizer que dentre três, uma... Ou eu estava muito mais alcoolizada do que imaginei. Ou eu estava muito mais drogada do que pensei. Ou meu cérebro tinha implodido e virado muco, o que me parecia mais provável.
Meu gato siamês, que também era o diabo (Sim, o lúcifer mesmo, só que mais... Felino, por assim dizer) estava deitado no colo de uma japonesa em trajes eróticos de colegial, enquanto que um maluco careca estava deitado em minha cama, com outra japonesa vestida da mesma forma.

- MAS QUE PORRA É ESSA?! – Eu me proclamei em meio a... Suruba? Zoofilia? Putaria Generalizada? Decidam como quiserem.

- Ah, sempre um poço de classe... – Meu gato zombou de mim, revirando seus olhos diabólicos, e fazendo a japonesinha nº 1 rir de modo infantil e irritante.

- QUEM DIABOS SÃO VOCÊS?! – E eu retirei minha Glock do bolso do sobretudo e apontei o revólver para trás.

- Você sabe que eu sou o Diabo mesmo. – O puto do meu gato riu de canto, me fazendo destravar a arma. Maldito seja o sarcasmo do capeta. – Deixe-me apresentar meu amigo Doctor Evil.

- Prazer. – E então o careca vestido de modo bizarro, com uma cicatriz no rosto e com a aparência do Mike Myers sentou-se em minha cama e levantou seu mindinho até sua boca. De um jeito ridículo, uma música vilânica soou no ambiente, e ele contorceu a face num sorrisinho.

Abre aspas: O vilão. Fecha aspas

- Bleeeergh! – Eu vomitei.

- E essas... – Continuou o meu gato, sem se incomodar com a enésima vez que eu vomitava em sua frente – São nossas amigas gêmeas Fuc Yu e Fuc Mi.

- SAIAM TODOS DO MEU TRAILER, CARALHO! – E eu atirei pra matar. Infelizmente só acertei o teto algumas vezes. Atirar bêbada nunca dava certo.
As japonesas pornográficas saíram correndo assustadas. Meu gato apenas bufou impaciente. E o tal do Doutor só tapou os ouvidos. Depois riu da minha cara.

- Uh, então você é uma menina má? – Ele arranhou o ar, como se fosse um tigre em uma caçada, fazendo o tipo conquistador.

- Bleeeeeergh! – Eu vomitei. De novo.
Nesse instante, a versão anos 60 do Mike Myers arrombou a porta de trás do meu furgão e deu uns tiros pra cima. Ainda me pergunto se ele também atirava para matar. A Beyonce estava bem atrás dele, empunhando uma arma também.

- Ouvimos tiros, está tudo bem?

- Isso é a merda de uma loucura! – E apontei para o careca, o Dr. Evil.

- Dr. Evil! – Eles gritaram em uníssono, fazendo com que minha conclusão se tornasse redundante. De novo.

- Nos encontramos de novo, Mr. Powers! – O Mike Myers careca riu malignamente.

- Me devolva meu Mojo, seu vilão insano! – O Mike Myers cafona ameaçou.

- Sério que só eu percebo o quanto isso é ridículo? – Perguntei, enquanto meu gato lambia suas partes íntimas, completamente desinteressado.

- Seu Mojo será pra sempre meu! Eu já o tomei! – E o careca fez outra careta, levando seu mindinho à boca. Ele fazia soar realmente malvado o fato de ter tomado o gozo de outro cara. Que na verdade, era ele mesmo. Só que vestido de um jeito diferente. E com cabelo e dentes tortos.

- Não!! Maldito Dr. Evil! – E então, Austin Powers ajoelhou-se na porta do meu trailer, em prantos.

- Não se preocupe, Austin. Você sempre terá seu Mojo com você! Acredite, eu daria pra você na boa, agora. – E Foxxy deu uma piscadela para o espião, que sorriu com seus dentes que apontavam em todas as direções.

- Groovy Baby! – E o Myers no terno de camurça se levantou e encoxou Beyonce.

- Eu posso participar? Eu também tenho Mojo! – O Myers careca correu até eles, encoxando a garota pelo outro lado.

- Bleeeergh! – Eu vomitei. Pela terceira vez.

- Eu é que não vou limpar essa bagunça – E meu gato desapareceu no ar. Maldito diabo, sempre se safando das desgraças que ele mesmo causa.

- SAIAM TODOS DO MEU TRAILER, CARALHO! – Gritei outra vez, atirando aleatoriamente, acertando o abajur de lava em cima de meu frigobar. Droga, eu realmente gostava daquele abajur.

Acordei com uma baita de uma ressaca. Me revirei na cama, e olhei no relógio. Eram 9 horas da manhã de quarta, e eu ainda não tinha nada pronto para entregar na minha redação. Olhei para meu notebook, onde os créditos do filme “Austin Powers e o Membro de Ouro” subiam pelo monitor.
Eu sabia que meu editor me mataria por não ter trabalhado, ao invés de ficar enchendo a cara em meu trailer hippie. Peguei meu revólver, e fui bolando um bom argumento para convencê-lo (claro, se o próprio revólver não funcionasse, o que era pouco provável).
Enquanto isso, o diabo olhava de longe, e sabia que, em algum motel esquecido pelos paparazzis, rolava uma orgia louca com dois Mike Myers e uma Beyonce.

Ou isso, ou foram só os efeitos do álcool mesmo. Eu nunca sei dizer.

Quem pediu um drink de Mojo?

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