6 de novembro de 2010

O garoto e o Energético

Era uma vez uma mulher. Aí ela morreu. Fim.

Basicamente foi assim que a minha sexta-feira começou. Uma prima minha desconhecida havia deixado o pônei dela na minha casa pra eu cuidar. Ok, não era um pônei, era o filho dela. Mas basicamente é a mesma coisa. Crianças comem capim, não?

A criança estava extremamente animada em passar uma tarde comigo. Ao que parece eu era conhecido na família como o cara engraçado e animado. Não sou. O garoto, em menos de meia hora, estava com uma cara de bunda falando que eu era um bêbado inveterado.

Como eu tenho o coração mole e meu estoque de bebidas estava acabando, resolvi levar o garoto para o trabalho. Ele ficou mais animado, se arrumou num piscar de olhos e lá fomos nós. Pouco antes de sair dei-lhe um tapa na testa. O garoto caiu para trás, meio inconsciente. Ele chorou todo o caminho até o escritório, por isso coloquei-o em cima do teto do carro. Carro que obviamente não era meu. Eu havia roubado ele do vizinho, afinal ele havia comprado um CD de Funk para tocar no carro.

Cheguei ao escritório e o Antonelli gostou da idéia de um mascote para o Contos de Bar. Ele e a alpaca começaram a brincar com o garoto de cabo de guerra. O garoto era o cabo.

Biancardine ficava insistentemente oferecendo álcool para o garoto, enquanto a Dutra gritava para que ele fosse um pouco mais sério. A tal da Losina era quem tinha a mesa mais abarrotada de chocolates, doces e LSD. O garoto logo ficou pedindo doces para ela, que tentava afastá-lo com um guarda-chuva. Não surtia efeito, obviamente.

- Losina, dê logo um chocolate pro garoto! – Disse a Dutra.
- NÃO! É MEU! MEU! – Disse a tal Losina com os olhos vermelhos.
- Losina, dê os chocolates. – Biancardine apareceu, com um chapéu e uma arma.
- Essa arma nem é de verdade. – Ótimo argumento da Losina.
- Droga. – Biancardine saiu correndo e se jogou na janela.
- Losina deixa de ser chata, dá um chocolate pra ele. Depois eu te dou outro. – Dutra sabe negociar.
- Ok, só um Bis. – Losina deu o doce ao garoto. Ele sorriu e saiu correndo. Só parou de correr quando bateu de frente com a alpaca Larry.

Algum tempo depois, Paulo chegou ao escritório. Ele tomou um susto inicial achando que o Antonelli havia adotado mais uma pessoa para morar no escritório, mas nós explicamos e ele apenas foi chorar no escritório.

Resolvi dar uma volta com o garoto. Descemos o elevador, roubei uma carteira qualquer, joguei a recepcionista dentro da caçamba de lixo, e saí pela cidade com o garoto. Atravessamos a rua e uma voz familiar me chamou:

- Garcez, não é?
- Sim. Olá Grell! – O gordo engordurado esticou a mão e eu a apertei. Ele parecia mais careca e gordo que nunca. Hoje ele parecia estar de folga pois usava uma camiseta regata, uma bermuda velha e gasta e um chinelo acabado que deixava suas unhas pretas a mostra.
- Onde você vai, Garcez? E quem é o pivete? – Ele perguntou, tentando sorrir para o garoto.
- Não faço idéia de quem seja, mas ele está comigo hoje. – Eu disse dando um tapa na barriga do Grell e observando o movimento gelatinoso.
- Bom, eu estou indo para o parque, o que vocês acham de ir comigo? – Disse Grell sorridente.
- Não, valeu. Vamos ficar por aqui, talvez eu pague uma prostituta pra ele.
- Mas ele é só uma criança! – Grell fez uma cara horrorizada.
- Talvez eu ache uma anã. – Eu admito, idéia brilhante.
- Você tem sérios problemas. – Grell saiu coçando a cabeça, com um ar de preodupado.
- Relaxa garoto, prostitutas anãs são caras. Vamos beber um pouco. – Eu disse, olhando pro garoto e dando uma piscadela.

Chegando no bar, o dono dele, o Sr. Adamastião, dono do estabelecimento, pegou delicadamente sua espingarda e pediu para que nos retirássemos. Obviamente cuspi em sua cara e pedi uma cerveja. Ele me atendeu xingando e foi para os fundos.

- E aí garoto, o que você quer? – Perguntei, sorrindo.
- Eu quero um refrigerante. – Ele respondeu olhando apreensivamente.
- Quer nada. Adamastião, me vê um energético pro moleque aqui.
- Meu nome é Rodolfo. – Brincou o Adamastião, enquanto mandava o energético mais forte pra minha mesa.

O garoto tomou a bebida e algo muito estranho aconteceu. Seus olhos incharam, sua cara ficou vermelha, sua boca se abriu num sorriso e subitamente ele começou a quebrar tudo do bar. Jogou o Adamastião pela janela e ateou fogo às calças do garoto espinhento que estava de caixa. Após a destruição, o garoto saiu pela porta quebrando vidros de carros, mordendo pessoas e destruindo tudo o que via pelo caminho.


A cidade, após o garoto tomar energético.

Horas depois, já escurecendo, achei o garoto dormindo em baixo da minha mesa, no escritório.

- Antonelli, o que esse garoto faz dormindo na minha mesa? – Eu perguntei ao único membro que ainda estava no escritório as 4 da manhã.
- Ele chegou e apagou, ué. – Antonelli não era muito útil enquanto comia borracha.


No dia seguinte levei o garoto de volta para a dona, junto com uma coleira e uma multa de quase dois milhões de reais por danos ao patrimônio público.

- Eu nunca vou ter filhos. – Comentei com o Biancardine que havia me dado carona em seu jet-ski com rodas.

3 comentários:

Mitsujii disse...

Putz cara!

Eu ri demais, hhahahahahahahahahaha!

Parabéns, conseguiu entreter usando boas palavras.

Falou!

Contriller disse...

HUAEHUaheuHAEUhaeuhAUEHauehUAEHuaehUAEHuaehuAE

Caralho, eu acho que acrodei meus vizinhos cearenses de tanto rir... puta merda.

MikaHylian disse...

Antonelli come borracha. Curioso.

* Constatação após rolar de ler enquanto ria... Oh wait. *

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