8 de novembro de 2010

Crônicas Investigativas: O Caso da Mulher Traída (Por Tentáculos)

Se me pedissem para descrevê-la em apenas uma palavra, a palavra que eu usaria seria “Pernas”. Elas andavam até meu escritório, lágrimas percorrendo seu rosto. Sentou-se na minha cadeira de visitas, e começou a contar sua história.

“Bem, detetive Biancardine…”
“Por favor, me chame de Clint.”
“Clint? Mas no anúncio dizia ‘Victor’.”
“Sim, eu sei. Mas eu prefiro ‘Clint Biancardine’ à ‘Victor Biancardine’. Mas por favor, continue.”
“Meu marido desapareceu.”
“Entendo. Você se lembra da última vez que você estava com ele?”
“Sim, lembro. Era no porto.”
“E você se lembra aonde o colocou depois de usá-lo?”
“Com licença?”
“Toda.” Apontei para a porta.
“Não, você não entendeu. Você está sugerindo que eu usei meu marido?”
“Não é para isso que maridos servem…” Olhei na minha papelada. “Ah. Maridos são pessoas casadas.”
“Sim!”
“Pensei que fosse um tipo de consolo.”
“Você pode me ajudar ou não?”
“Bem, senhora Bolasprafora…”
“Meu sobrenome é Butaffuoco.”
“Senhora Bolasprafora, eu diria que seu marido sofre de um clássico caso de ‘Trair a esposa com um polvo’. A única cura é o divórcio.”
Esta é literalmente a foto menos pornográfica que eu consegui achar. Não acredita? Google "Octopus Fuck" então.
“Você não pode estar falando sério. Ele nunca me trairia!”
“Exatamente. Ele nunca te trairia, pois ele não estava te traindo! Ele estava traindo o polvo!”
“Isso não faz o menor sentido!”
“Não? Ou será que faz… Todo o sentido?”
“Não faz sentido algum.”
“Certo. São 500 reais pela investigação mais custos.”
“Mas você não fez nada!”
“Escute, doçura. Eu fiz a investigação. Agora você vai pagar, ou eu vou ter que chamar a polícia. É sua escolha.”

Resmungando e chorando, ela assinou um cheque e me entregou. Guardei-o para depois, e a expulsei do meu escritório. Jamais me esqueceria da Pernas. Ela era uma garota especial. Especialmente por causa de… Alguma coisa.

“Secretária” Apertei o botão daquele bagulho que se usa para falar com a secretária. Interfone, segundo o dicionário.
“Não sou sua secretária,” Roxy me corrigiu do outro lado da linha “Sou a estagiária. E o Paulo quer voltar para o escritório dele. Já está xingando o Larry sem motivo.”
“Excelente. Mas enfim. Mande a nova cliente entrar.”
“Certo.” Boas secretárias como a Roxeanne são difíceis de se achar hoje em dia.

Paulo entrou no meu escritório, seus olhos pegando fogo — e desta vez não fui eu quem atirou fogo nele —, e me deu um soco. Eu o soquei de volta, e apontei meu revólver para ele. Obviamente, o verdadeiro Paulo foi abduzido por aliens extra-marcianos, e substituído por uma andorinha fantasiada. Me preparei para atirar.

“Eu não sou uma andorinha fantasiada!” A andorinha gritou “Sou o verdadeiro Paulo!”
“Se você é o verdadeiro Paulo, prove!”
“Eis minha certidão de nascimento!”
“Não é bom o suficiente!”
“Eis a chave do meu carro!”
“NÃO É BOM O SUFICIENTE!”
“VOCÊ PODE DORMIR COM MINHA SOBRINHA!!” Gritou, chorando de medo.
“Ok. Você é o verdadeiro Paulo.” Guardei meu revólver.
“U-ufa. Agora será que podemos, por favor, discutir?”
“Discutir? O verdadeiro Paulo jamais iria querer discutir!” Peguei meu revólver novamente.
“O verdadeiro Paulo — digo, eu, quero sim discutir! Temos um problema!”
“E qual é o problema?”
“Tem um novo site que quer derrubar o Contos de Bar.”
“Outro?”
“Sim, outro. Mas desta vez não é por vingança contra você ou o Antonelli, é porque é competição.”
“Qual o nome do site, Paulitos?”
“Paulitos?”
“Não gostou? Passei a noite toda que transei com sua sobrinha pensando nesse apelido.”
“É horrível. E o quê você acaba de me dizer ainda mais.”
“Ei, você disse que eu podia.”
“Certo, foda-se. Nós precisamos saber se eles não querem fazer uma parceria ao invés de tentarem nos matar.”
“Ok. Eu me encarrego disso. Estilo Splinter Cell.”
“Não. Não, não não! Nada de estilo Splinter Cell! Da última vez eu tive que pagar uma fiança de 2.500 reais!”

Mas já era tarde. Eu já havia desaparecido pela multidão (Leia-se: Atacado a alpaca e corrido enquanto ela tacava fogo no escritório). Li no papel que ele me deu o nome do site. “Contos de Carl”. Contos de Carl? Nome mais besta.

Quinze minutos depois, havia invadido o escritório de Contos de Carl. Me esgueirava pelas… Coisas de ventilação, quando ouvi uma conversa entre os colunistas do Contos de Carl. Escutei com atenção, tentando não cair e esmagar um deles.

“Ok, Carls. Temos que formar nossa estratégia para esmagarmos o Contos de Bar! Eh, sim, Carl 1?”
“Eu sugiro picles.” Um deles disse.
“Eu também sugiro picles.”
“Eu também.”
“E eu.”
“Pois bem. Picles. Mas como usaremos deste picles para…”

Subitamente, eu explodi a coisa de ventilação, caindo e esmagando um dos colunistas do Contos de Carl. Lição aprendida: Nunca fume em lugares ricos em oxigênio. E também não traga fogos de artifício nos bolsos traseiros. Longa história encurtada: Eu estava sem calças.

“Oh meu Deus!” Um deles gritou.
“Ele matou o Carl Três!” O outro apontou para meu traseiro nu, que debaixo de encontrava-se o cadáver de Carl Três.
“Acalme-se, Carl Dois” disse o Carl líder do grupo “nós o vingaremos.”
“Não, não o vingarão!” Gritei, brandindo minha colher. Por motivos que me faltam à mente, deixei meu revólver em casa.
“Pelo amor do ornitorrinco” fiquei pasmo “vocês são todos iguais.”
“Somos clones” O Carl líder se fez ouvir.
“Entendo.”
“Não, não entende.”
“Ei, só por curiosidade, clones transam entre si?”
“Sim.” Disseram em uníssono.
“Huh.” Cocei o queixo. “E como é?”
“Horrível.” Disseram novamente em uníssono.
“Então, o que vocês vão fazer?”
“Te matar e vestir sua pele” O líder deu de ombros.
“Entendo. Ei, olha! Um clone diferente!” E então atirei uma bomba de gás que roubei do Antonelli no chão, cegando a todos.

Estava tudo escuro. A força havia sido cortada por mim e meu macaco. Aonde arrumei um macaco não fazia idéia, mas ele me fazia companhia. Os Carls me perseguiam, esgueirando-se. Eu havia roubado as armas deles. Atirei para todas as direções, mas isso já era aguardado por eles. Eu tinha que fazer algo que os surpreendesse. Sem pensar duas vezes, tirei a camisa e fiz a Dança do Pênis™. Isso os fará pensar duas vezes antes de me atacarem.

Segui correndo, meu macaco no meu ombro, pelos corredores, semi-desesperado, semi-excitado. Cheguei numa sala que dizia “Cuidado! Material Inflamável!”, e tive uma idéia. Peguei meu isqueiro, e taquei fogo no macaco, jogando-o para dentro da sala. Antes que me julguem, meu isqueiro custou 20 reais. O macaco foi de graça. Façam as contas.

Quase imediatamente, o prédio explodiu num mar de fezes e fogo, com um fedor imenso de… Bem, fezes flamejantes. De alguma forma vivo, corri para fora do prédio aonde fui prontamente preso por um policial por atentado ao pudor. Mais um dia de rotina.

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