Era Domingo, e como todo Domingo, eu estava no escritório vendo pornografia (Devido a cortes no salário, em grande parte sendo multas por incendiar coisas, não tenho mais internet em casa). Na mesa próxima, Antonelli roncava algo sobre “Alpacas Sensuais”. E a alpaca roncava algo sobre “Escravizar Antonelli” na cama logo ao lado. Não sei, não falo com alpacas.
Meu computador me deu um susto (Maior do que o usual) no meio da minha sessão de emulador de FFVI. Era meu MSN. Uma pessoa suspeita queria me adicionar. Já acostumado com o imenso sucesso que o site havia atingido, aceitei, esperando mais um fã (Aumentando o total de fãs para um). O homem estava ansioso, e se eu pudesse cheirá-lo, ele provavelmente teria cheiro de Cheetos. Mas eu não podia. Ele falou rápido, chamando minha atenção quando eu não respondia rápido o suficiente. Eis um resumo da conversa que ocorreu:
“Ei, você é o cara que chamam de ‘Exterminador’?” Ele começou, olhando por cima de seus ombros virtuais. E provavelmente por cima de seus reais na vida real (Pessoas doidas não têm dinheiro para comprar computadores. Eu que o diga)
“Sim, sou. Mas não acho que um homem já tenha me chamado assim antes” Eu menti. Sobre a parte de ser o exterminador.
“Escuta, eu tenho que te falar sobre uma coisa. É uma coisa importante. MUITO importante.”
“Fale então, oras.”
“Não pode ser por computador. Temos que nos encontrar na vida real.” Meu primeiro instinto, claro, foi o de chamá-lo de tarado e bloqueá-lo, mas eu precisava de trabalho. E mais importante ainda, eu precisava de uma crônica para segunda. Então aceitei, torcendo para que meus anos morando na rua pudessem me ajudar a ir contra um gordo obeso, tarado, e de pênis para fora. Marcamos para nos encontrar no Mc Donald’s o habitat natural do pervertido.
O Sol já nascia quando ele apareceu. Havia me feito esperar quinze minutos, o desgraçado. Vestia um sobretudo, e provavelmente nada mais. Olhava por cima dos ombros, e, bizarramente, para cima. Depois de pedir comprovações de que eu era, de fato, o exterminador (Mostrei para ele uma foto de uma de minhas vítimas: A alpaca do Antonelli), ele abriu o jogo. E abriu-o um pouco demais, pois uma protuberância se mostrava pelo sobretudo.
“É o seguinte. Há três meses, eu era um cara normal. Como você.” Não acreditei nele. Eu era anormal demais para ser como alguém. Mas ele não me conhecia, então deixei escapar. “Mas aí eu descobri uma coisa. Uma coisa… Maquiavélica.”
“O que você descobriu?” Disse, acendendo um cigarro.
“Uma coisa… Uma coisa sobre… Vacas.”
“Vacas?” Perguntei, acendendo um cachimbo.
“Sim. Vacas. Elas são… Mais inteligentes do que pensávamos.”
“Como assim, mais inteligentes?” Questionei-o, acendendo uma fogueira.
“Elas conspiram! Conspiram contra nós! Logo após descobrir isso, eu fui seqüestrado por três vacas e um touro! Elas ameaçaram me matar se eu falasse para alguém, mas eu não posso mais ficar calado!”
“Você contou isso para mais alguém?” Inquiri-o, acendendo a chama da paixão da mulher atraente mais próxima. Provavelmente.
“Não. Eu estava aterrorizado demais. Mas aí eu vi seu anúncio. Diz nele que você é capaz de matar vacas só de olhar para elas?”
“Isso é correto.” Proclamei, convidando uma das mulheres sentadas no Mc Donald’s à acenderem meu fogo “Mas eu estava falando de outro tipo de vaca.”
“De qualquer forma” Ele disse, depois de xingar por quase uma hora “Você pode me ajudar?”
“O que eu posso fazer para ajudar?” Disse enquanto rolava tentando apagar o fogo que a mulher tacou no meu cabelo.
“Exponha a verdade ao mundo! Mostre o perigo que as vacas impõem sobre nós!”
“Tudo bem. Se eu puder fazer uma crônica humorística disso, fá-lo-ei. Mas preciso de uma pista antes de começar minha investigação.”
“Bem, eis aqui tudo que sei” Ele me entregou um caderno. Na capa estava uma vaca com os dizeres ‘MUU = Malvada Unanimemente Unida’. Meu informante era péssimo com siglas. E com onomatopéias. “E tem uma coisa que não está aí, mas que eu posso te falar. As vacas têm uma fraqueza. Essa fraqueza é… O quê é aquilo? OH MEU DEUS!” Ele gritou, sendo contra-produtivo, enquanto era esmagado por uma vaca kamikaze. Em seus últimos suspiros, ele falou algo sobre “Revólveres”.
“Bem, parece que ele…” Eu disse, pondo os óculos escuros. “Não aguentou o bife.”
Sem uma pista inicial para começar minha investigação, eu estava entalado. Entalado e coberto com as tripas de uma vaca que deu a vida por seus superiores. Eu era, basicamente, uma salsicha. Voltando para o escritório do Contos de Bar irritado, encontrei com o Garcez tentando entrar sorrateiramente.
“Garcez” Chamei-o “O quê você está fazendo?”
“AH! Droga! Você quer me dar um ataque cardíaco?”
“Você não tem problemas cardiovasculares. E o quê você está fazendo entrando no Escritório em um Domingo?”
“Nada. Nada. Ei, aquilo não é um carro sendo dirigido por uma vaca?”
Olhei, segurando o braço do Garcez. De fato, era um carro sendo dirigido por uma vaca. Uma vaca dura de matar com nada a perder, que não tinha nada em sua mente a não ser me exterminar. Droga. Isso de novo? De qualquer forma, o carro parou antes de atropelar a mim e ao Garcez (Que ainda lutava para se soltar), e três vacas nos levaram para dentro da van, nos nocauteando no processo.
Acordamos horas depois, numa cela escura e fria. Ou então era um freezer de carne. Essas vacas tinham um senso de ironia bastante refinado. Isso ou então era um pouco de justiça poética. Malditas vacas e suas execuções poeticamente corretas.
“Mas que diabos está acontecendo?!” Garcez gritou, acordando.
“Fomos aprisionados por vacas kamikazes.”
“O quê?!”
“É que sabemos demais.”
“Mas eu não sei nada!”
“Bem, agora você sabe.”
“ISSO NÃO É HORA PARA PIADAS!” Ele atirou um pedaço de bife congelado em mim.
“Acalme-se” Disse, mantendo minha calma e acendendo um cigarro “Sairemos daqui.”
“Como você sabe?”
“Estão abrindo a porta agora.”
No mesmo instante, uma vaca entrou no freezer, mugindo xingamentos e reclamações. Ela nos levantou (O que foi bizarro, já que ela não tem polegares opositores. Ou polegares, por sinal), disse algo sobre “O chefe quer te ver”, e nos levou até o tal “Chefe”.
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| Uma vaca, aqui vista sendo diabólica. |
“Olá” Disse uma voz que eu instantaneamente reconheci (Mas só porque é fácil reconhecer o som de mil almas em pavor constante sendo consumidas pelo Mal Primordial): Cthulhu.
“Cthulhu” Eu disse, exprimindo uma expressão que fez o Garcez fazer uma cara de confuso. “Então é você que está por trás disso tudo.”
“Sim. Muito bem, meu caro…”
“Biancardine. Victor Biancardine.” Disse, ajeitando uma gravata borboleta que não existia. Ao invés, tentei jogar o Garcez para Cthulhu, que me deu um soco “E esta é minha companheira pelo filme, Pussy Galore.”
“Esse não é meu nome.”
“Bem, prefere que eu diga seu nome para Cthulhu, para que ele saiba qual alma devorar?”
“Pensando bem, serei Pussy Galore por enquanto.” Ela afirmou, aterrorizada ao ver Cthulhu. Eu estava inalterado. Goatse era bem pior que aquilo.
“Qual é o seu plano, Cthulhu?”
“É bem simples, Biancardinevictorbiancardine. Eu irei jogar vacas de altitudes extremamente altas em cima de pessoas.”
“Por quê?”
“Porque estou entediado.”
“Sim, isso eu entendi. Mas por que vacas?”
“Bem… Para ser honesto… Eu acabei ficando sem seguidores humanos.”
“Como?!” Disse, consolando o Mal Primordial.
“Eu… Sacrifiquei todos.” Ele chorou silenciosamente no meu ombro, centenas de almas esvaindo-se de suas lágrimas sentidas.
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| Cthulhu, o sacrificador precoce. |
“Cthulhu” Eu levantei-me, com a voz firme “Você não pode simplesmente ir sacrificando seus seguidores só porque lhe dá vontade. Você tem que deixar os jovens vivos para lhe servirem, e sacrificar os velhos para dar uma idéia aos jovens que existe um paraíso na religião de Cthulhu, entende?”
Algumas horas, dois sorvetes, uma destruição de uma cidade e risadas depois, Garcez e eu estávamos de volta ao escritório. Cthulhu, agradecido por minhas dicas, me deu um boneco de pelúcia de si mesmo. Eu daria um dos meus para ele, mas eles são pornográficos demais para se presentear um Velho Deus com.
“Então…” Me virei para Pussy “Pussy…”
“Vá se ferrar” Ela disse, de forma rude e agressiva “Você deu dicas para Cthulhu, e ainda por cima tentou vender minha alma em troca de poderes Jedi. Não quero falar com você.”
“Mas…”
“Não.” E ela foi embora, deixando-me sozinho naquele mundo frio, obscuro e em preto-e-branco. Mas eu a deixei-a ir. Uma pessoa há de fazer o que acha melhor para si, e aquela belezura havia escolhido. Talvez não fosse o que eu escolheria, mas é o que haveria de ser. Acendendo um cigarro, eu fechei o caso das Vacas Kamikazes.
P.S.: Cthulhu não está irritado com esta crônica. Pedi sua permissão antes de escrevê-la, e, de fato, ele gostou dela. Somos amigos desde uma ocasião em que sem querer tropecei numa estatueta dele e, por reação em cadeia, metade de Londres entrou em pânico. Ele também diz que se você não compartilhar esta crônica no Facebook, Twitter, MSN ou aonde quer que seja, ele irá devorar sua alma, que, por sinal, tem gosto de manteiga de amendoim com geleia.
P.S.: Cthulhu não está irritado com esta crônica. Pedi sua permissão antes de escrevê-la, e, de fato, ele gostou dela. Somos amigos desde uma ocasião em que sem querer tropecei numa estatueta dele e, por reação em cadeia, metade de Londres entrou em pânico. Ele também diz que se você não compartilhar esta crônica no Facebook, Twitter, MSN ou aonde quer que seja, ele irá devorar sua alma, que, por sinal, tem gosto de manteiga de amendoim com geleia.










Um comentário:
hahahaha
E não é que você acabaou envolvendo Cthulhu na estória?
Muito bom cara, está de parabens! Curti o conto.
flw!
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