Chutei a porta de ferro o mais forte que pude, sem danos aparentes. Era sexta feira, duas da tarde e eu já estava bem puto. Acordara menos de uma hora antes, e vi que estava atrasado para o trabalho. Não que isso fosse algo incomum, pois eu chegava constantemente atrasado por causa de orgias, ressacas ou qualquer coisa mais importante que o trabalho. Mas eu estava sem dinheiro pras prostitutas que eu já havia contratado essa semana, e o melhor jeito de consegui-lo é roubando da carteira de alguém na redação enquanto estão todos dormindo, mortos, ou fazendo alguma coisa estranha com aquela alpaca.
O único problema é que minha mãe havia me trancado dentro de casa novamente. Isso acontece com freqüência, principalmente quando faço coisas que a desagradam tipo trabalhar como colunista, ou trazer um tubarão e um cubano ilegal inconsciente pra dentro de casa falando que ia brincar de pesca. Essa última foi o motivo dela ter me trancado hoje, imagino.
Mas eu já sabia o que fazer, afinal não era a primeira vez. Voltei ao meu quarto, respirei fundo e pulei pela janela. Dei um impulso forte, era uma queda de 3 andares, afinal. Em menos tempo do que eu esperava senti meu rosto batendo no chão. Moro em casa térrea.
Após alguns minutos desacordado, ou horas, ou dias, eu levantei com o nariz torto e um cachorro simpático urinando nas minhas pernas, eu estava sem calças. Nada incomum. Levantei, joguei o cachorro na casa do vizinho, subi um pouco a cueca samba-canção roxa que estava usando, pulei o portão e saí andando, enquanto ouvia gritos desesperados do vizinho pedindo socorro, pois um guepardo havia sido jogado em seu quintal. Demorei uns minutos pra descobrir onde ele havia arranjado um guepardo.
Após alguns quarteirões passei no bar:
- Me vê uma cerveja. – Disse educadamente enquanto espancava um homem ou uma mulher muito feia, não sei, que estava sentada no lugar que eu queria.
- Moço, p-posso saber o q-que está fazendo n-na minha casa? – Não fazia idéia de quem era, mas reparei que estava espancando seu filho. Larguei o garoto, peguei uma cerveja, um dinheiro em cima da mesa e o cachorro e saí andando feliz por ter conseguido dinheiro, cerveja e almoço antes de chegar no trabalho.
Cheguei em frente ao prédio em que trabalho, peguei uma pedra e joguei mirando no quarto andar. A pedra ricocheteou no concreto e caiu quebrando o vidro de um carro qualquer. Para não descobrirem, ateei fogo no carro. O qual já aproveitei pra fritar meu almoço e comê-lo, enquanto dividia os ossos com um cão de rua. A palavra “canibalismo” veio à minha mente. Ri enquanto subia o elevador. Uma garota meio vesga entrou comigo, ela usava um All Star de cada cor, e cheirava a gatos. Dei-lhe um tapa na testa e ela nem se mexeu. Me distraí roubando a carteira de um cara de paletó na minha frente.
Saí do elevador no quarto andar. Fui saudado pela costumeira alpaca que ficava mascando aquelas folhas de coca o dia inteiro. “Alpaca é colega de trabalho, não é lanche”. Repeti meu mantra diário até a minha “mesa”. Uma porta sobre três cavaletes.
- Bruno! BRUNO! – Era a voz irritante do Paulo, editor de onde trabalho. Peguei um pedaço de madeira com um prego na ponta e esperei ele chegar um pouco mais perto. Infelizmente ele não se aproximou.
– Bruno, você sabe que hoj...
- SHHHHHHHHHHHHH! Carteira. – Disse, esticando a mão.
- Como é que... Tanto faz. – Paulo me entregou a carteira. Ele é facilmente manipulável, principalmente quando é ameaçado por alguém com um cacto de formato sugestivo. – Mas agora sendo sério, você trouxe sua crônica? Todos os outros já estrearam no site novo, só falta você.
- Claro, marsupial capado. – Afirmei gentilmente, enquanto tirava duas folhas enroladas da meia. – Você acha que eu sou o que? Um lambedor de lâmpadas igual você? - Paulo levou a mão à cabeça após eu revelar sua tara secreta por lâmpadas fluorescentes. [Nota do editor: Não, não tenho.]
- Ok, Bruno, espero que você tenha feito algo decente dessa vez. Suas crônicas excessivamente sexuais têm sido criticadas. – Disse Paulo enquanto ia se afastando cuidadosamente. - E, por acaso, você sabe quem foi que ateou fogo no meu carro? - Filho da mãe.
- O QUÊ? SUA MÃE O QUÊ? O QUE TEM O BACALHAU? FALA MAIS ALTO, EU SÓ OUVI A PARTE QUE VOCÊ LAMBIA LÂMPADAS DE MADRUGADA! – Gritei enquanto jogava Paulo contra um cara qualquer que dormia embaixo da mesa e começou a socá-lo assim que acordou. Em poucos minutos todos nós estávamos batendo, cuspindo , arranhando e jogando querosene no nosso querido editor.
Após umas horas de diversão, decidimos terminar o expediente enquanto Paulo fumegava e era lambido pela alpaca. Decidi passar no café perto do prédio antes de ir para minha casa e começar meu final de semana de orgias, drogas e desordem pública.
- Me vê um whiskey e uma coxinha. – Disse enquanto escolhia uma música na jukebox e começava a jogar qualquer coisa que não estava pregada pela janela. Tais coisas haviam diminuído drasticamente desde que comecei a freqüentar o lugar. A última coisa que ouvi antes de pegar minha bebida e minha coxinha e pular pela janela foi algo como “finalmente é sexta-feira”. “Não por muito tempo” gritei com um sorriso sarcástico enquanto pulava pela janela.









5 comentários:
AUSHAUSAUHSUAHUSHAUSUAH
muito bom x)
"Uma garota meio vesga entrou comigo, ela usava um All Star de cada cor, e cheirava a gatos. Dei-lhe um tapa na testa e ela nem se mexeu."
Sublime toque aveludado.
shuauhsahsa
pare com as dorgas manolo XD
mto fodah *o*
Achei muito legal, não há como parar de ler pela metade. Teve uma coisinha aqui que eu achei meio confuso: "Dei um impulso forte, era uma queda de 3 andares, afinal. Em menos tempo do que eu esperava senti meu rosto batendo no chão. Moro em casa térrea." primeiramente você diz que cairia 3 andares, mas depois afirma que mora em casa térrea, e isso ficou confuso, mas por causa do possivel fato de que você estava drogado com baba de alpaca na hora que escreveu o texto, acho que não há problemas né?
abraços (:
cara...
me dá um pouco desse troço que você fuma.
rs
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