Era uma linda tarde de sábado, e a biblioteca estava movimentada. Um grupo de pessoas estava à um canto, absortas lendo todos o mesmo livro. Era o Clube do Livro dos Ouvintes Anônimos de Conteúdo Adverso. Ou o nome carinhoso de C.L.O.A.C.A.
O livro em questão era “Mil páginas sobre como mil páginas são feitas: Do corte da madeira à laminação.” Estavam todos absortos lendo seus livros, quando ouvem um ronco. Um garoto estava dormindo, com o livro no rosto. Esse garoto era eu.
- Ei garoto, acorda – Um homem vesgo e magricela me chamou.
- Que foi? – Perguntei enquanto tentava retirar o livro parasita do meu tosto.
- Você dormiu, temos que ler o livro. – Ele disse, em tom de censura.
- Ah, não. Não consigo ler esse livro. – Eu falei, levantando-me.
- Você vai ler garoto. – Ele havia se levantado também.
- Não vou. – Falei, encarando-o enquanto fechava o livro com raiva.
- Eu vou te obrigar então. – Ele falou, soltando o livro. Burrice.
Assim que ele soltou o livro, eu peguei o meu e dei-lhe uma porrada na cabeça com ele. Saí correndo, enquanto ouvia protestos. Essa foi a primeira luta do Clube da Luta.
Voltei na semana seguinte para continuar lendo, e todos estavam lá. O homem com quem havia discutido ainda estava lá. Ele me recebeu calorosamente, jogando o livro “Quem são seus abacaxis?” em mim. Revidei jogando-lhe outro livro qualquer. Quando ele estava no ar, percebi que na verdade era um cachorro, e ele foi parar direto no rosto de outro membros. Em menos de dois minutos todos os membros do clube estavam se engalfinhando, se esmurrando, se cortando com espadas, e todo o resto. A luta continuou por pelo menos mais uma hora, quando a biblioteca fechou.
- Sábado que vem, na mesma hora? – Perguntou meu oponente.
- Sábado que vem. – Respondi.
E assim, os sábados daquela pequena cidade começaram a sentir as lutas. Apostas, show de abertura, tudo começou a ser feito. Em pouco tempo, havíamos perdido dois homens, uma mulher e um grupo de pulgas mexicanas.
Em menos de três meses, começamos a nos expandir, e o país todo gerou uma onda de violência. Na mesma época, um grupo de garotos liderados por um futurista estranho chamado “Alex” fazia muitas coisas ruins, e atraía a atenção dos policiais para ele e seus amigos.
Em poucos meses, toda organização havia se espalhado pelo país e então um novo objetivo surgiu: lutar com todas as pessoas d mundo.
Obviamente foi um fracasso, já que ninguém tinha dinheiro para sair do próprio bairro. Então o homem que havia me desafiado para a primeira luta na biblioteca, recebeu uma proposta para um filme. Inicialmente era para fazer uma comédia romântica, mas Ashton Kutcher tomou seu lugar, e como ele já havia sido pago, resolveram fazer o filme “Clube da Luta”.
Após meses de gravação a primeira “versão” de clube da luta havia saído. Era tosca e por algum motivo estava em russo. O sangue era limonada, então não havia muito realismo. Mas algo mudou.
Dias depois de vermos o fiasco, um dos membros pensara em começar a vender cosméticos. Em uma de suas vendas, a cliente acidentalmente espirrou perfume em seus olhos, e sua alergia ficou pior. No final o membro morreu de tanto bater a cabeça na parede, um dos sintomas de sua alergia.
Os diretores viram que era uma oportunidade para uma segunda versão, e então fizeram com que a morte dele fosse causada, na realidade, por um tiro enquanto ele fugia de um vandalismo. Isso animou os diretores e fizemos a segunda versão, que agradou-os. E assim nasceu a lenda do “Clube da Luta”.

“Garcez” respondeu-me Dutra, que estava me ouvindo narrar a história o tempo todo. “Mas isso não foi nos anos 70?”
“Foi sim, Dutra.” Respondi.
“Mas você nasceu 20 anos depois, como isso é possível?”
“Hm. É nessa hora que eu saio voando.” E então pulei do prédio.








Um comentário:
HEUhaeuHAEUhaeuAHEUaheuAHEUAehaUEHAue
Cara eu ri desse final.
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