6 de outubro de 2010

Meu primeiro dia

Eu lembro do meu primeiro dia no escritório do Contos de Bar como se fosse ontem. Lembro de sair do meu antigo emprego e de tudo que se seguiu desde então.

Antigamente eu era mais um dos inúmeros garotos de programa – quero dizer, programadores. Eu ganhava bem porque sabia como fazer o seviço direito, ou ao menos é o que as pessoas pensavam. Dizem que se você colocar 100 macacos com máquinas de escrever eventualmente eles escreverão Shakespeare (E cagarão na máquina), e com sistemas é a mesma coisa. Coloque uns 10 esquilos, transistores e alguns fios e eles fazem qualquer programa rodar.

Tudo começou quando os esquilos começaram a ficar frustrados. Acho que eu devia ter pensando em colocar comida e água pra eles. De qualquer forma, meu antigo chefe me chamou na sala dele e falou um monte de coisas. Vou modificar certas palavras que ele falou para proteger seus olhos, caro leitor.

-"Escuta aqui seu monte de "felicidade" ou você deixa essa "maravilha" de sistema funcionando ou vai ter que dar "abraços" para pagar as suas contas, entendeu seu "cara legal" chupa "balas"?"

Saí de lá um pouco abalado, óbvio, e até tentei resolver o sistema. No entanto, quando abri a caixa os esquilos revoltados vieram pra cima de mim e tentaram se alimentar da minha carne macia. Mais abalado ainda com a derrota, pedi demissão da maneira mais classuda que conhecia: Mandando um caminhão de esterco descarregar na entrada do antigo escritório, logo após ateando fogo no esterco.

Eu estava abalado e fui para meu apartamento encontrar minha linda esposa. Entrei naquela imensa casa e lá estava aquela linda loira carnuda olhando pra mim. Ela fitou-me, e perguntou:
-"Quem é você, e o que está fazendo na minha casa?"

Foi aí que lembrei que não era casado ou tinha uma casa. Eu precisava de um emprego, de um objetivo, e provavelmente precisava lembrar onde morava também. Tinha algum dinheiro na reserva o que daria pra ficar um tempo sem me desesperar para o emprego, e então fui encher a cara com cerveja,vodka e whiskey.

A noite começou boa, e logo eu estava fora de mim dançando e bebendo com desconhecidos. A partir daí, a memória ficou nebulosa e estranha, e só lembro de recobrar a consciência andando por aí. As placas me pareciam estranhas, me pareciam estar escritas em... espanhol? E lá estava, em letras garrafais e aterrorizantes: "Bienvenido a Madrid – España".

Andando perdido pelas ruas de Madrid eu procurava sentido para minha vida, procurava aquele emprego e procurava entender como havia chegado a Espanha andando a pé de São Paulo. Provavelmente era hora de largar aquele whiskey vagabundo (E por whiskey eu quero dizer vinho com óleo de radiador).

Veja bem eu sabia como eu cheguei mas não exatamente de que meio eu havia chegado. Qualquer bom bebedor deve estar familiarizado com o teletransporte etilíco. O teletransporte etilíco é a mágica que acontece quando você bebe demais e quando volta a estar sóbrio está em outro lugar. Como outra cidade, estado, ou, no meu caso, país.

Chequei o extrato da minha conta, e descobri como tinha ido parar lá, a passagem de avião não deixava dúvidas. Agora eu teria que realmente conseguir um emprego, afinal de contas, aqueles juros do cheque especial não iriam se pagar sozinhos.

Primeiro eu tinha que voltar ao Brasil e para minha sorte a Espanha tinha uma rigída politíca de extradição. Bastava falar na linguagem universal: Atentado ao Pudor.

Rapidamente tirei minhas calças e fui bulinar a estatúa sacra mais próxima. Acariciava suas nadegas de marmóre enquanto gritava algo que pensava ser espanhol quando a polícia chegou e falou algo que não entendi mas aparentemente era algo como:"Vamos enfiar tasers nos seus genitais e te eletrocutar".

Fui a julgamento e aleguei que era uma manifestação artistíca (você pode se livrar de qualquer enrascada se disser que é uma manifestação artistíca) e antes que me desse conta, estava de volta ao Brasil.

Agora precisava de emprego, e fiz o que todo jovem consciente e que se leva a sério faria: Coloquei "Tô precisando dum Job Ajudâe" no MSN, e fiquei entrando e saindo para a janela subir [Nota do editor: Se eu soubesse que ele faz esse tipo de coisa, nunca o teria contratado em primeiro lugar].

Depois de 3 dias de incessante busca, um dos colunistas do Contos de Bar (Bruno Antonelli) falou que poderia me arranjar um bico como colunista, bastava passar na entrevista de emprego. Sorri, alegre. Entrevistas eram fáceis, e eu tinha a ferramenta certa pra isso.

Às 14h de uma quarta-feira, fui fazer a entrevista de emprego com o editor, Paulo. Estava vestindo minha melhor roupa, e havia levado meu melhor taco de Baseball.
Taco de Baseball, visto aqui sendo aterrorizante. E macho.
Entrei no imponente escritório do Contos de Bar, e por imponente quero dizer minúsculo. A sua voluptuosa secretária me pediu para entrar pois seria o próximo a ser entrevistado, o que era uma pena pois estava adorando a visão daquela mulher. E por mulher quero dizer uma revista Caras de 1995 que estava lendo enquanto esperava e por adorando entenda-se morrendo de tédio.

Apertei a mão do Paulo, que me disse:
- Então, Fábio, qual a sua experiência no ramo editorial?
Era uma pergunta capciosa, mas eu sabia me desviar pois vim totalmente preparado. Apontei para fora e gritei :
- "TETAS!" - E quando o Paulo virou para vê-las, enfiei um taco de Baseball de aço inoxidável da World Series na sua nuca. Chamo ele de "Donny", o taco não o Paulo. O editor logo recobrou a consciência, e parecia desorientado.
-Onde estavámos ? - Disse o Paulo para mim ainda enxugando o sangue que escorria por suas costas.
- Você estava me dizendo que eu seria o colunista das Quartas-Feiras... E então caiu no sono e sangrou um pouco pela nuca sem nenhum motivo aparente.
-Ah tudo bem! Bem-vindo ao time!

E foi assim que eu consegui o meu emprego.

2 comentários:

Nah Safo disse...

UHAHUAHUAHUAHUUHAHUA

genial.

CaPeLo disse...

PUTAQUEPARIU XDDDDDDDDD

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