3 de novembro de 2010

As estequiométricas aventuras do homem HCl

Era 18 horas em um laboratório universitário da Grande São Paulo. Eu fazia experimento de eletrólitos quando ocorreu... Entrando em contado com o ácido clorídrico me tornei o Homem HCl com o poder de um mol por litro!

Esta é a história de meus primeiros dias como combatente do crime, dos malfeitores e dos portadores de bigodes.

A cidade dormia, eu não. Havia estupradores, comedores de uvas de supermercado e pessoas desenhando pênis em vidros sujos de carros e alguém tinha que impedir isso, alguém como eu.

Como não sabia onde começar fui fazer o que todo novo herói fazia, fui para o topo de um prédio. Infelizmente eles não deixam você entrar em um prédio só porque tem uma roupa bonita e colada.

Eu precisava iniciar de algum lugar, eu precisava chegar ao topo de um prédio ou minha carreira de defensor da justiça estaria acabada antes mesmo de começar. Por sorte ou acidente eu descobri a constante universal de todos os prédios: A dona Marta do 6º andar. Todo prédio tem uma Dona Marta no sexto andar, é basicamente que nem saneamento básico ele precisa ter ou não é um prédio. Interfonei para a dona Marta e ela me deixou subir pois esperava uma pizza ou um encanador ou sei lá.

Estava dentro e agora bastava ir ao topo, o céu era o limite! Na verdade o último andar era o limite mas você entendeu o que quis dizer. No topo eu observava, eu via, eu esperava... Na verdade não via porra nenhuma, as pessoas ficam muito pequenas do 15º andar. Voltei ao térreo e comprei um binóculos para resolver esse problema. Há um enorme problema em comprar coisas no débito quando você quer defender sua identidade secreta, você não pode simplesmente dar o cartão com a identidade real e os bancos não fornecem cartões para pessoas mascaradas, além do que, as roupas coladas não possuem muitos bolsos para carregar dinheiro felizmente eu sempre ando com uma nota de R$100,00 na meia.

Novamente no topo eu observava esperando a cidade que ansiava pela minha proteção quando de repente eu vi! Um assalto a uma pobre velhinha! Eu pensei em saltar de telhado em telhado como meus heróis, mas como percebi mais tarde telhados no Brasil são mais distantes do que em Nova York.

Eu fui ao socorro da única maneira que sabia: de elevador. Chegando lá a velha já havia ido a delegacia a bolsa já devia ter virado crack, putas ou sanduíches e eu não fiz efetivamente nenhuma diferença.

Talvez os prédios não tenham sido uma boa idéia mas de qualquer forma estava decidido a continuar. Decidi montar o meu covil secreto, meu lar da justiça a minha clorocaverna!

Infelizmente descobri que em São Paulo há pouquíssimas cavernas. O Batman provavelmente mandou fazer a dele e eu não tinha dinheiro algum. O acidomóvel também ia ficar pra segundo plano pois não sabia dirigir.

A noite se encerrava e as pessoas me olhavam estranho, era hora de ir pra casa, hora de esperar mais uma oportunidade, hora de usar esse binóculos pra ver a gostosa da vizinha.Tirei meu uniforme e encerrei a noite, amanhã será mais produtivo.

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