25 de novembro de 2010

Ataque Súbito de Insanidade Gratuita

Era um dia particularmente amarelado, como se o Sol jogasse sua luz contra o mundo e estivesse prestes a nos queimar em sua fúria. Tudo estava visivelmente amarelo e distorcido, e eu gritava sobre o fim do mundo iminente:

- VAMOS TODOS MORRER!
- Bruno... – dizia Dutra, que de alguma forma, mantinha a calma.
- É O FIM! E ELE TEM COR DE MOSTARDA!
- Bruno... – repetia, friamente.
- E EU PREFIRO MOLHO INGLÊS! POR QUE TEM QUE SER COR DE MOSTARDA?!
- Desenrolem esse pedaço de celofane amarelo da cabeça dele, pelo amor de Jah! – disse a colunista Rocha, em seu canto obscuro, já impaciente. Dutra estendeu a mão e puxou o papel de meu rosto, deixando tudo mais... “Desamarelado”, por assim dizer. “Colorido” seria gay demais. Até Paul Mccartney preferiu usar “amarelo” em vez de “colorido” quando foi finalizar uma música sobre um tal submarino.
- MINHA SALVADORA! – gritei para a Dutra.
- Que...? – disse ela, desajeitada – Que tipo de drogas você...
- Larry, agradeça-a como se deve por ter salvado a todos nós! – disse para minha mascote sul-americana.
- Não! Não quero nada vindo dessa sua alpaca! Ela já comeu 3 celulares meus! – tentou lutar, mas inevitavelmente Larry começou a mastigar e babar em seu cabelo, como sinal de gratidão – Aaaaai! Tira! Tira! Eu acabei de lavar!
- Ah, sem problemas! A gente lava de novo! – disse sorrindo, demonstrando entusiasmo.
- Lavar de novo...? Espera aí, o que está fazendo com o novo aquário do Paulo?!
- Larry, pode soltá-la!
- NÃO!

No momento em que balancei o aquário para trás, ele foi prontamente segurado por Biancardine e Losina, enquanto Garcez me fez soltá-lo com uma peixada. Pelo gosto, diria que era um arenque.

- Muito bem. – disse Biancardine, colocando a mão no meu ombro como sinal para me sentar – Agora, sente-se, escreva sua crônica, e fique quietinho e comportado, como um zíper.
- Eu posso até ficar quieto... – disse, e então me desvencilhei e pulei montando na minha alpaca – MAS MEU ZÍPER JAMAIS FICARÁ!
- Antonelli! – Paulo, o editor, acabara de entrar no escritório – O quê significa isso?
- Paulo! Que bom que chegou, quer ver a Dança do Zíper? É engraçada, e eu faço sem as mãos!
- Dança do Zíper...? – respondeu, enjoado.
- Exatamente! Agora, CONTEMPLEM...
- Aah! – Losina e Dutra gritaram em uníssono, cobrindo os olhos para o que estava por vir.
- Bruno! – interrompeu rapidamente meu colega Garcez – Está ouvindo isso? Acho que são “eles”! – parei o processo muscular que começaria a Dança do Zíper, e fiquei imóvel – Melhor você se esconder dentro do armário! E rápido!
- Não! – respondi apressado – “Eles” não vão com a cara de armários, os acham insolentes e armarescos demais! Tenho que sair daqui! – desmontei do Larry, ajeitei meu cinto e corri em direção a janela.
- Antonellienígena! – interrompeu-me Victor.
- Biancardinossauro? – virei-me respondendo-o tresloucadamente, transbordando insanidade pelos olhos.
- Está com uma desafortunada ereção. – disse ele, apenas querendo me deixar desconfortável.
- Estou nada! – disse rapidamente.
- Está sim, cheque suas calças.
- Estou não! – insisti.
- Está sim. Eu posso sentir.
- ...

Todos ficamos em uma espécie de silêncio constrangedor, até que Garcez me lembrou:

- Rápido, “eles”...!
- Aé!!! – me virei novamente para fugir pela janela.
- Antonelli! – interrompeu Biancardine mais uma vez.
- O quê foi agora? – respondi rispidamente.
- HOMO-EROTIC COMEDY!
- YEAH! – pulei quebrando o vidro, e gritei – VOU MATAR A TODOS!!!

...


- Viram só? – disse Garcez - É fácil se livrar dele quando fica assim.
- Se eu fosse vocês, não ficaria tão certa disso. – avisou Rocha, ainda sentada em sua mesa.
- Ele pulou do 4º andar! Ninguém está preocupado?! – desesperou-se Dutra.
- Te preocupa à toa, tola colega! – eu disse, saindo de um tubo de ventilação do teto e caindo em cima de Losina e Biancardine, que seguravam o aquário novinho do Paulo, derrubando todo seu volume e peixinhos no atordoado e embasbacado editor.
- A-antonelli... – ele tremia, como se estivesse perto de ter um piripaque - Meu aquário... De novo... Mas você pulou pela janela... Como?!?!?!?
- Vou te dizer uma coisa, Paulinho. – disse, me levantando – Tentar entender minha mente e minhas ações é o caminho para tua insanidade! – montei no Larry e corri, dessa vez para o elevador.

...Insane.


- Então... Alguém quer pedir pizza? – completou Garcez, quebrando o silêncio atônito de Paulo, que caiu em lágrimas.

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