- Garcez. – Ela disse, olhando para frente.
- Fale, Dutra – Respondi, roubando seu café.
- Eu nunca soube como você chegou aqui. – Disse ela, dispersa.
- Depende. Hoje eu cheguei de balão.
- Não, eu quis dizer, como você conseguiu esse trabalho.
- Ah. Nem eu sei direito. Mas se quiser posso falar o que eu lembro da história.
- Seria interessante. – Após isso, ela sentou-se, esperando que eu lhe contasse minha história.
- Foi mais ou menos assim:
“Eu estava em uma época ruim da minha vida. As orgias não eram freqüentes, então eu tinha que me masturbar algumas vezes ao dia. Eu havia me inscrito em um estágio como redator, e havia um homem que iria me visitar para me selecionar, algo assim. Algumas semanas se passaram desde que eu havia entrado no estágio, então eu já havia desistido. Em uma certa sexta-feira, eu estava sozinho em casa. E como de costume, fui me preparar para um pouco de masturbação saudável...”
- Não faça essa cara, Dutra, eu sei que você não é santa. – Parei minha narrativa, pois Dutra fazia uma cara de nojo e de fome. Ela começou a me bater, e demorei alguns minutos para acalmá-la. – Enfim, pare de me interromper. Continuando...
“Como eu já havia visitado todos os sites grátis possíveis e não tinha dinheiro para pagar os outros, resolvi inovar. Fui até a cozinha e peguei a primeira coisa que vi na geladeira. No caso, um pote de doce de leite. Voltei ao meu quarto e fechei a porta. Peguei o doce de leite e comecei a fazer o que tinha que ser feito. Alguns minutos depois, ouço movimentação na cozinha. Minha mãe havia acordado. Ela passou por mim e gritou:
- Bruno! O que é isso?
- Isso o que? A porta está fechada!
- Mas você nem porta tem!
- Oh, merda.
- Se arruma, o homem do estágio está aí!
Eu saí correndo, coloquei a calça de qualquer jeito e lavei as mãos. Quando entrei na sala, havia um homem com uma arma apontada na minha cara, um outro sentado em uma alpaca e um outro com as roupas fumegantes.”
- Garcez, isso me parece.... – Começou a Dutra, me olhando serio.
- Sim, são eles.
- Então o “cara do estágio” eram o Antonelli e o Biancardine?
- Não. Era o fumegante no meio. O nome dele era Ranfãel.
- Não era Rafael? – Perguntou a Dutra.
- O pai dele era fanho, sei lá. Quer que eu continue a história?
- Ah, claro.
“Então, quando vi os dois na minha sala, peguei uma tartaruga e tentei sair correndo. A alpaca conseguiu me alcançar, e o Biancardine voltou a me apontar uma arma e falou:
- Você é o Garcez?
- Dizem que sim.
- Serve. Tenho que te contar uma coisa.
- O que?
- Você é um bruxo.
- Quê?
- Errei. Eu sou seu p... não, não era isso também.
- Hey. – Interrompeu o Antonelli enquanto Biancardine coçava a cabeça com a arma. – Por que você está sem calças e com doce de leite... lá?
- Calças não existem, é tudo uma ilusão. – Foi a primeira idiotice que eu pensei em falar. Os olhos do Antonelli brilharam, Biancardine deu um tiro que acertou a minha coruja e a alpaca falou:
- Você é o escolhido.
- Hein? – Perguntei, surpreso de uma alpaca falar português. Elas são do Chile, deveriam falar espanhol.
- Você trabalhará conosco e dominaremos o mundo. – Disse a alpaca com os olhos brilhantes.
- Segunda à sexta? – perguntei.
- Quarta à sábado.
- Fechado.”
- E foi assim que eu comecei a trabalhar aqui, Dutra. – Eu disse, com simplicidade.
A Dutra estava com os olhos arregalados, seu oitavo café seguido havia caído e ela estava sapateando.
- Tudo mentira dele. Eu o achei em um achados e perdidos de alguma estação de trem. – Biancardine havia chegado de sua caça ao Paulo matinal.
- Nunca saberemos. – Eu disse, em tom misterioso.
- Você ainda usa o bracelete que te deram com o nome da estação, Garcez.
- Você tem um ponto. Mas a coisa do doce de leite foi real. – Eu não iria perder completamente.
- Ah, foi mesmo. Ele colocou doce de leite no coiso dele e foi pra rua. Disse que era “caça” e voltou meia hora depois com dois cachorros. Foi um bom churrasco.
- Sabe o que é mais estranho? – Falei, lembrando-me de algo.
- O que é mais estranho que fazer churrasco de cachorros caçados por uma pessoa com doce de leite no seu instrumento? – Perguntou a Dutra, meio de esguelha.
- Depois que assamos, o Paulo fez questão de comer a língua.

O Doce de Leite. Antes de ir para "lá".
E tudo terminou com um grande acesso de vômito em conjunto de todos os presentes no escritório. Incluindo Larry, a alpaca e Grell, que ninguém viu de onde surgiu.








4 comentários:
Malditos moralistas, não conhecem os prazeres do doce de leite.
HAHUEAHUEHAUEHAUEHAUEH
Você escreve bem, já disse.
Mas o "O Pet Shop Grell'Os" ainda é meu favorito! hahahaha
tenho medo de perguntar se as histórias são verídicas -qqq UHSDAHUSAD
... Assim que eu vi a imagem do conto eu pensei "Nossa, que agradável, doce de leite... Adoro doce de lei... OH WAIT!"
Nunca mais verei doce de leite com os mesmos olhos. * Chora * q
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