- Não acredito que isso aconteceu... – eu dizia, aos prantos. Havia esquecido o miojo na água fervente por 20 minutos, e o que restava era uma gororoba queimada sem traços de água.
Saí de minha cozinha improvisada com um bico de bulsen no armário do zelador do prédio aonde trabalho, jogando a mistura dentro da calça da primeira pessoa que cruzou meu caminho, que deu um gritinho que parecia uma mistura de surpresa orgástica com desespero, desconforto e “que porra é essa, tá maluco?”. Parecia ser uma pessoa gorda, rica e importante, mas não era problema meu. Eu estava preocupado com coisas mais urgentes: Precisava de dinheiro.
- Espera aí... – olhei novamente para o gordão de terno aparentemente rico, e liguei alguns fatos: Eu precisava de dinheiro, ele parecia ter dinheiro, e ele estava com miojo derretido entre as nádegas. – Podemos fazer um bom negócio aqui.
- O quê você jogou nas minhas calças?!? – ele gritava, assustado.
- Te revelo o segredo por uma pequena doação de um milhão de reais.
- UM MILHÃO?!?
- Vamos, não seja mesquinho! Pense em como você nunca vai conseguir dormir de novo sem saber se isso grudado na sua bunda é tão ruim quanto você pode imaginar ou não.
- Você é maluco!!!
- Tá bom. Meio milhão.
- Não!
- 250 mil e eu ainda limpo isso de suas nádegas!
- O QUÊ?
- Situações desesperadas pedem soluções desesperadas. E eu estou desesperado.
- Me diga seu nome e nunca mais trabalhará nessa cidade! – eis uma frase que identifica uma pessoa rica e influente. Eu por exemplo nunca poderia dizer algo assim.
- Boa noite, Cinderela.
- O quê? – E ele apagou, depois de receber uma pancada de um extintor de incêndio. Um empresário multibilionário pode dizer frases ameaçadoras, mas eu posso simplesmente descer a lenha em qualquer coisa que se mexa na minha frente.
Mais tarde, estava caminhando por alguma rua aleatória vestindo o terno novo que eu havia acabado de conseguir, embora fosse meio largo para mim. Precisava arranjar uma entrevista para algum segundo emprego. Apenas o trabalho como colunista não sustentava a mim e à minha alpaca. Ao menos, já estava bem vestido.
Avistei do outro lado da rua um restaurante de esquina com o tipo de aviso que eu procurava ao lado da porta de entrada: “Precisa-se de garçom”. Infelizmente parecia que alguém chegara pouco antes de mim, pois um homem com um terno bem mais chique e do meu tamanho e com um bigode engraçado tipicamente garçonesco estava para entrar no estabelecimento.
- Ei, Sebastian! – arrisquei. O homem parou e olhou à volta
- Me chamou? – perguntou para mim, do outro lado da rua.
- Hahaha! Não acredito que isso deu certo! – não consegui evitar de rir.
- Eu... Te conheço? – perguntava o aspirante à garçom.
- Não, mas a maioria dos garçons e mordomos tendem a se chamar “Sebastian” ou “Alfred”. Foi como jogar uma moeda, parece que dei sorte.
- O quê você quer comigo? – perguntou, enquanto eu me aproximava – E eu não gostei dessa sua piadinha sobre garçons. Temos nomes comuns como qualquer ser humano!
- Ah é? E qual era o nome de seu pai, então? – perguntei.
- Ahm... – Ele se distraiu e dei-lhe uma peixada. No caso, uma arencada com força o suficiente para deixá-lo imediatamente desacordado. Havia aprendido a usar peixes como armas letais nos meus anos lutando no Oriente Médio, poderia até matá-lo com uma sardinha se eu quisesse. Mas isso era desnecessário no momento.
Entrei no estabelecimento com o meu novo terno mais justo e até com o bigode engraçado. Ao entrar, se dirigiu até mim a senhora que provavelmente era a gerente do estabelecimento. Ela parecia um macaco mumificado.
- Olá, você deve ser... – ela olhou para mim, como que me questionando.
- Sebastian. – respondi prontamente.
- Preciso do seu nome completo. – ela insistiu.
- Sebastian... Alfred... Júnior. – arrisquei, me dando um tapa mentalmente pelo improviso ridículo.
- Ah, confere. Temos ótimas referências suas, Sr. Sebastian.
- Jura? – minha sorte hoje estava estranha – Aposto que ouviu de mim pelo meu tio Geoffrey.
- Quem? – ela indagou.
- Ninguém. – a vida não tem graça sem tentar abusar um pouco de quando se tem sorte – Estou contratado?
- Tolo! – ela tirou uma luva de seda branca e bateu com ela em meu rosto – Precisa ser entrevistado antes. Me siga.
- Espera aí! – disse, ofendido - Você acabou de me agredir com uma... Luvinha fofa. – conclui sem muita convicção.
- Tolos não argumentam! – e me bateu mais uma vez com aquela luvinha. Quase levantei meus braços para tentar enforcá-la, mas precisava do emprego.
Segui a senhora/múmia/primata até a sala dela, e no caminho comecei a perceber algumas coisas levemente esquisitas naquele lugar.
- Com licença... – me disse enquanto me sentava – Posso saber por que tinha algumas pessoas amarradas em couro e levando chicotadas no caminho para cá?
- Se ficar fazendo tantas perguntas, acabará sendo castigado. – ela disse, enquanto colocava estranhas luvas de couro com zíper em suas mãos ressecadas e peludas.
Percebi então que aquilo não se tratava de uma nova tendência francesa para restaurantes chiques. Estava na porra de um cabaré sadomasoquista.
- Ah! Parece que houve um engano...! – me levantei enquanto ela dobrava e puxava uma cinta.
- Não há engano nenhum, Sr. Sebastian. Agora sente-se e comporte-se, ou precisarei lhe ensinar a ter boas maneiras numa entrevista particular.
- A-acontece que não eu me chamo Sebastian, sabe? Hehe, eu... Só estava passando por aqui e precisava de d-dinheiro e... – a cena da múmia macacafifada tirando o vestido e revelando uma roupa justa de couro com cintas de espinhos estuprou tanto meu cérebro que quase me ajoelhei e comecei a chorar ali mesmo. Quase. – PELO AMOR DE DEUS ME DEIXEM SAIR DAQUI!!! – grudei contra a porta, que estava trancada por fora.
- Ora, não seja tão bagunceiro, jovem levado. Não está aqui pelos 800 reais semanais?
- Você disse... 800 reais? – ajeitei meu terno e o bigode – Semanais?
- Sim sim, ora essa!
Olhei para a velha múmia de couro e cintas na minha frente girando o chicote, e pensei nas minhas opções. Estas se resumiam em apenas três: Ganhar o dinheiro, correr como o diabo da cruz ou matar esse bicho feio na minha frente. Ela era tão esquelética que parecia que quebrar seus ossos seria fácil como partir gravetos, mas os pêlos assustariam qualquer um que tentasse se aproximar.
Pensei no dinheiro. Pensei no que me restava de auto-estima e dignidade. Ri ao perceber que não tinha nada de nenhum dos três. Havia me decidido, eu...
- Olá Filomena! – um Garcez vestido de policial irrompeu pela porta atrás de mim, cumprimentando o animal mumificado que parecia ter um nome.
- GARCEZ?! – perguntei, surpreso.
- ANTONELLI?!? – respondeu, assustado.
- Ora, ora! Vocês se conhecem? – disse a macaca velha.
- O quê você está fazendo aqui? – perguntei ao meu amigo colunista.
- Preciso do dinheiro e essa vaga vai ser minha! – respondeu, nervoso - Te desafio para um duelo para vermos quem é o mais apropriado para tal emprego. – ele puxou um cacetete extremamente constrangedor de se descrever com um formato fálico sexualmente sugestivo.
- A vaga é sua. – disse desistindo imediatamente, saindo daquele lugar para sempre.
Ao atravessar a rua, olhei para trás e reparei no nome do estabelecimento pela primeira vez: Filomena’s Pain Palace. Ótimo dia para sair sem meus óculos.








2 comentários:
Como vc arrancou o bigode?D:' -q
E tenso a mulher ç-ç . Eu sempre soube que o pato tinha esses desejos estranhos u3ú -apanha muito dele-
Vc teve essa ideia após ver um filme pornô tipo sadomasoquista,comendo miojo? -QQQ (não me mate,ok?xD)
hAUEHauehAUEHuaehUAEHaehuA
Uma vitória justa, devo dizer.
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