Quarta-feira de manhã.
O Paulo, nosso infeliz editor levanta de sua cama e arruma-se para trabalhar. Escolhe aquela gravata vermelha de cetim, mas fica um tanto preocupado. Cetim suja fácil demais. Trocou, e colocou uma azul, de algodão mesmo. Mas se sentiu um pouco sufocado. Decidiu ir sem gravata mesmo.
E percebeu estar nu, na verdade, só de gravata azul, num apartamento chamuscado e desconhecido.
- Mas o quê diabos?! – Ele gritou, confuso e sentindo-se um tanto drogado.
Paulo geralmente não se drogava (não por vontade própria), por isso, achou que tinha motivos suficientes para estar preocupado.
Era um cara comum, pacato, que visitava a mãe no interior de vez em quando e trazia para a sobrinha blusinhas de poliéster vendidas a preço de custo, provavelmente costuradas por escravos infantis, mas mesmo assim, em conta para o seu bolso.
Então, se um cara que visita a mãe no interior e contribui pro trabalho infantil em Taiwan acorda com uma cicatriz na barriga e sensação de estar drogado... Ele tem sim motivos suficientes pra estar preocupado. Mas o importante não é isso.
Paulo nunca foi assim tão importante. Nós colunistas, só gostamos de usá-lo por ficar extremamente patético, vitimado e engraçado a ponto de ser facilmente manipulável por nossas mãos cirurgicamente habilidosas pra realização de... pretzels. Enfim!
Chegando em seu escritório, usando sua gravata azul de algodão frouxa em seu pescoço, trajado apenas em uma toalha vermelha, ele deixa sua pasta repousar na mesa. Mas ela cai espafalhatosamente no chão (no lugar onde sua mesa deveria estar).
BAQUE!
- AI! – O chão gemeu.
- Mas que merda?! – Paulo pulou pra trás, tropeçando em algo pequeno, que grunhiu fino.
Uma massa molenga e nada uniforme se desmordificou do chão, relevando um Garcez sonâmbulo.
O Garcez é um dos colunistas mais bizarros que eu já vi, e olha que isso inclui todos os integrantes do Contos de Bar. E nem é pelo fato dele ser uma massa molenga e desestruturada do que talvez seja um ser humano.
Ele se levantou, pegou um taco de beisebol, e instintivamente, o Paulo abaixou, com lágrimas nos olhos semi-drogados. Um único balanço. One nice shot! CRASH!
Lá se fora mais outro aquário do editor, espatifado pelo chão.
- GARCEZ! MAS QUE DROGA...?! – Paulo se levantou, as lágrimas escorrendo pela gravata de algodão. Decisão sábia logo pela manhã.
- Esse foi o meu despertador. Não reclame, poderia ter sido a sua cabeça. – O Garcez bocejou, entediado. E nu.
- Falando em cabeça, quando é que eu devo ser alimentado? – A fuinha do Garcez, seu mascote recém adquirido, dotado de seu nome másculo digno de um esquilo esticado se pronunciou.
- Eu não sei, Azeite de Oliva. – O Garcez bocejou outra vez.
- Não pode dar azeite pra essa... Coisa! – Paulo protestou, como se seu argumento fosse influenciar em qualquer decisão ali. E isso inclui a fuinha.
- Não, o nome dele é Azeite de Oliva.
A fuinha grunhiu/mugiu/miou/foda-se e sorriu para o aturdido editor.
Neste exato momento escroto da história, só para variar, eu vou entrar em cena.
Um novo baque no escritório, dessa vez bem mais alto que o último, e vindo da porta, anuncia minha chegada. Derrubei-a na base de ponta-pés. O que quase matou o Paulo do coração.
Eu disse quase, não sejamos cruéis com o pobre homem, sim?
- Que porra é essa aqui? – Eu perguntei de modo delicado, encarando dois caras nus, um segurando um taco de beisebol e o outro com lágrimas nos olhos. Nenhum deles me respondeu. O Garcez deve ter preferido ficar quieto e fazer uma troll face, só pra sair como o fodelão da história. O Paulo ficou quieto por que, como sempre, eu apontava meu revólver pra cabeça dele. Quem me respondeu foi a fuinha.
- Toquei fogo na casa do Bruno, e tivemos de nos mudar pra cá.
Acenei com a cabeça, aceitando a informação. Você nunca deve duvidar de uma fuinha com DDA. Principalmente se ela fala. E põe fogo em coisas.
- Por algum motivo, eu gostei de você, bichano. – Eu respondi, brincando de abrir e fechar o meu isqueiro metálico.
- Peraí, vocês não podem invadir o meu escritório desse jeito! – Paulo tentou salvar o resquício de razão que encontrou em meio ao nosso diálogo. Mais um ato falho de sua parte.
- Calado! Eu só vim entregar o meu texto! – Eu continuava a apontar a arma pra ele. Editores nus e ajoelhados nunca impõem respeito sobre um revólver de calibre 38 nas mãos de uma psicopata de sobretudo. Repito: Nunca.
- C-certo...
- Boa diversão pra vocês, crianças. A gente se esbarra bichano. – Fiz um aceno de cabeça pra fuinha, que se dirigia agora para dentro da toalha do Paulo, que urrava de desespero, enquanto o Garcez se aproximava dele com o taco de beisebol.
Explosivos e caos no geral são minha área. E não estupro de editores por colunistas espumantes, e uma fuinha incendiária. Sempre achei colunistas espumantes... Estupradores demais. Enfim.
Pensando com os cadarços de meu par de all star preto, acendi um cigarro e fui sentar no meu canto escuro, com os pés sobre a mesa. Adorava o cheiro de café, êxtase, gatos, álcool e pólvora que aquele escritório tinha naturalmente, pela manhã. Por isso, abaixei-me e vomitei na gaveta da escrivaninha mais próxima.
Larry, a alpaca do Antonelli, aproximou-se de mim, grunhiu/mugiu/miou/foda-se e cafungou o vômito.
- Passa daí, demonho. – Balancei o cigarro no ar, irritada.
- Meh! – Larry lambeu o vômito. Eca!
Levantei e dei as costas para o bicho que se refastelava com seu saudável café da manhã já digerido de remédios, vodka e fast food.
Fui até a janela e respirei fundo. Escutei baque surdo atrás de mim, seguido de um estrondo e um bocejo. Julguei que o Antonelli tivesse acordado e batido sua cabeça na escrivaninha, já que dormia embaixo dela.
- Bom dia – Eu o cumprimentei, ainda virada para a janela, puxando um pouco do meu cigarro.
- Ahn, bom dia. Cadê todo mundo? – Ele parecia estar se situando de uma pós guerra iraquiana. Mas acordar cedo sempre dá essa impressão.
- O Garcez ta com a fuinha no escritório do Paulo, ambos nus, as garotas ainda não chegaram, nem o Biancardine, não me pergunte porquê, e o Larry ta comendo vômito na minha gaveta. – Soltei a fumaça pra fora, suspirando.
- Você parece preocupada. – Ele ignorou todos os fatos anteriormente citados. Nada de anormal para um colunista do Contos de Bar.
- Bem, com você e a alpaca morando aqui, e agora o Garcez e uma fuinha, vou ter que procurar outro lugar pra passar as noites. – Dei mais um trago no cigarro.
- Deixa disso. Aqui sempre cabe mais um! – O Antonelli sorriu simpático, enquanto a alpaca arrotava um odor NADA simpático pelo escritório. Logo depois, foi se enfiar no armário de bebidas pra defecar, outra vez.
- Bicho escroto. – E apontei a arma pra alpaca. Seu dono saiu rapidamente em sua defesa, tentando remover a lhama de dentro da provisão alcoólica.
Passei ao lado da disputa, salvei uma garrafa de vodka e pulei pela janela. Desta vez, ato falho da minha parte.
Eu havia me esquecido que habitávamos agora o oitavo andar, que era muito mais alto que o andar anterior, e fechei os olhos pra amortecer a dor da queda. Levantei os braços, pra salvar a vodka e o cigarro. Lembre-se sempre: Vodka e cigarros primeiro, depois você pensa nas crianças e em qualquer outra merda.
O Paulo, nosso infeliz editor levanta de sua cama e arruma-se para trabalhar. Escolhe aquela gravata vermelha de cetim, mas fica um tanto preocupado. Cetim suja fácil demais. Trocou, e colocou uma azul, de algodão mesmo. Mas se sentiu um pouco sufocado. Decidiu ir sem gravata mesmo.
E percebeu estar nu, na verdade, só de gravata azul, num apartamento chamuscado e desconhecido.
- Mas o quê diabos?! – Ele gritou, confuso e sentindo-se um tanto drogado.
Paulo geralmente não se drogava (não por vontade própria), por isso, achou que tinha motivos suficientes para estar preocupado.
Era um cara comum, pacato, que visitava a mãe no interior de vez em quando e trazia para a sobrinha blusinhas de poliéster vendidas a preço de custo, provavelmente costuradas por escravos infantis, mas mesmo assim, em conta para o seu bolso.
Então, se um cara que visita a mãe no interior e contribui pro trabalho infantil em Taiwan acorda com uma cicatriz na barriga e sensação de estar drogado... Ele tem sim motivos suficientes pra estar preocupado. Mas o importante não é isso.
Paulo nunca foi assim tão importante. Nós colunistas, só gostamos de usá-lo por ficar extremamente patético, vitimado e engraçado a ponto de ser facilmente manipulável por nossas mãos cirurgicamente habilidosas pra realização de... pretzels. Enfim!
Chegando em seu escritório, usando sua gravata azul de algodão frouxa em seu pescoço, trajado apenas em uma toalha vermelha, ele deixa sua pasta repousar na mesa. Mas ela cai espafalhatosamente no chão (no lugar onde sua mesa deveria estar).
BAQUE!
- AI! – O chão gemeu.
- Mas que merda?! – Paulo pulou pra trás, tropeçando em algo pequeno, que grunhiu fino.
Uma massa molenga e nada uniforme se desmordificou do chão, relevando um Garcez sonâmbulo.
O Garcez é um dos colunistas mais bizarros que eu já vi, e olha que isso inclui todos os integrantes do Contos de Bar. E nem é pelo fato dele ser uma massa molenga e desestruturada do que talvez seja um ser humano.
Ele se levantou, pegou um taco de beisebol, e instintivamente, o Paulo abaixou, com lágrimas nos olhos semi-drogados. Um único balanço. One nice shot! CRASH!
Lá se fora mais outro aquário do editor, espatifado pelo chão.
- GARCEZ! MAS QUE DROGA...?! – Paulo se levantou, as lágrimas escorrendo pela gravata de algodão. Decisão sábia logo pela manhã.
- Esse foi o meu despertador. Não reclame, poderia ter sido a sua cabeça. – O Garcez bocejou, entediado. E nu.
- Falando em cabeça, quando é que eu devo ser alimentado? – A fuinha do Garcez, seu mascote recém adquirido, dotado de seu nome másculo digno de um esquilo esticado se pronunciou.
- Eu não sei, Azeite de Oliva. – O Garcez bocejou outra vez.
- Não pode dar azeite pra essa... Coisa! – Paulo protestou, como se seu argumento fosse influenciar em qualquer decisão ali. E isso inclui a fuinha.
- Não, o nome dele é Azeite de Oliva.
A fuinha grunhiu/mugiu/miou/foda-se e sorriu para o aturdido editor.
Neste exato momento escroto da história, só para variar, eu vou entrar em cena.
Um novo baque no escritório, dessa vez bem mais alto que o último, e vindo da porta, anuncia minha chegada. Derrubei-a na base de ponta-pés. O que quase matou o Paulo do coração.
Eu disse quase, não sejamos cruéis com o pobre homem, sim?
- Que porra é essa aqui? – Eu perguntei de modo delicado, encarando dois caras nus, um segurando um taco de beisebol e o outro com lágrimas nos olhos. Nenhum deles me respondeu. O Garcez deve ter preferido ficar quieto e fazer uma troll face, só pra sair como o fodelão da história. O Paulo ficou quieto por que, como sempre, eu apontava meu revólver pra cabeça dele. Quem me respondeu foi a fuinha.
- Toquei fogo na casa do Bruno, e tivemos de nos mudar pra cá.
Acenei com a cabeça, aceitando a informação. Você nunca deve duvidar de uma fuinha com DDA. Principalmente se ela fala. E põe fogo em coisas.
- Por algum motivo, eu gostei de você, bichano. – Eu respondi, brincando de abrir e fechar o meu isqueiro metálico.
- Peraí, vocês não podem invadir o meu escritório desse jeito! – Paulo tentou salvar o resquício de razão que encontrou em meio ao nosso diálogo. Mais um ato falho de sua parte.
- Calado! Eu só vim entregar o meu texto! – Eu continuava a apontar a arma pra ele. Editores nus e ajoelhados nunca impõem respeito sobre um revólver de calibre 38 nas mãos de uma psicopata de sobretudo. Repito: Nunca.
- C-certo...
- Boa diversão pra vocês, crianças. A gente se esbarra bichano. – Fiz um aceno de cabeça pra fuinha, que se dirigia agora para dentro da toalha do Paulo, que urrava de desespero, enquanto o Garcez se aproximava dele com o taco de beisebol.
Explosivos e caos no geral são minha área. E não estupro de editores por colunistas espumantes, e uma fuinha incendiária. Sempre achei colunistas espumantes... Estupradores demais. Enfim.
Pensando com os cadarços de meu par de all star preto, acendi um cigarro e fui sentar no meu canto escuro, com os pés sobre a mesa. Adorava o cheiro de café, êxtase, gatos, álcool e pólvora que aquele escritório tinha naturalmente, pela manhã. Por isso, abaixei-me e vomitei na gaveta da escrivaninha mais próxima.
Larry, a alpaca do Antonelli, aproximou-se de mim, grunhiu/mugiu/miou/foda-se e cafungou o vômito.
- Passa daí, demonho. – Balancei o cigarro no ar, irritada.
- Meh! – Larry lambeu o vômito. Eca!
Levantei e dei as costas para o bicho que se refastelava com seu saudável café da manhã já digerido de remédios, vodka e fast food.
Fui até a janela e respirei fundo. Escutei baque surdo atrás de mim, seguido de um estrondo e um bocejo. Julguei que o Antonelli tivesse acordado e batido sua cabeça na escrivaninha, já que dormia embaixo dela.
- Bom dia – Eu o cumprimentei, ainda virada para a janela, puxando um pouco do meu cigarro.
- Ahn, bom dia. Cadê todo mundo? – Ele parecia estar se situando de uma pós guerra iraquiana. Mas acordar cedo sempre dá essa impressão.
- O Garcez ta com a fuinha no escritório do Paulo, ambos nus, as garotas ainda não chegaram, nem o Biancardine, não me pergunte porquê, e o Larry ta comendo vômito na minha gaveta. – Soltei a fumaça pra fora, suspirando.
- Você parece preocupada. – Ele ignorou todos os fatos anteriormente citados. Nada de anormal para um colunista do Contos de Bar.
- Bem, com você e a alpaca morando aqui, e agora o Garcez e uma fuinha, vou ter que procurar outro lugar pra passar as noites. – Dei mais um trago no cigarro.
- Deixa disso. Aqui sempre cabe mais um! – O Antonelli sorriu simpático, enquanto a alpaca arrotava um odor NADA simpático pelo escritório. Logo depois, foi se enfiar no armário de bebidas pra defecar, outra vez.
- Bicho escroto. – E apontei a arma pra alpaca. Seu dono saiu rapidamente em sua defesa, tentando remover a lhama de dentro da provisão alcoólica.
Passei ao lado da disputa, salvei uma garrafa de vodka e pulei pela janela. Desta vez, ato falho da minha parte.
Eu havia me esquecido que habitávamos agora o oitavo andar, que era muito mais alto que o andar anterior, e fechei os olhos pra amortecer a dor da queda. Levantei os braços, pra salvar a vodka e o cigarro. Lembre-se sempre: Vodka e cigarros primeiro, depois você pensa nas crianças e em qualquer outra merda.
Exemplo de queda livre NADA inteligente.Mas o impacto veio antes de eu chegar ao chão. Parei sobre algo duro e de metal, alto. Eu doía, mas pelo menos não tinha me estatelado no chão. Abri os olhos e me dei conta que estava em cima de um velho e grande trailer. Uma senhora de cabelos longos e cacheados, vestida de trajes em flanela, multicoloridos e desgastados sorriu um tanto banguela pra mim, e tirou o baseado da boca pra falar.
- Ta tudo no lugar aí, minha filha?
- Acho que sim. Estou procurando moradia. A senhora sabe onde posso achar? – Fui direta. Meu problema era mais urgente que uma queda idiota de oito andares.
- Veja bem, mizinfia, que está com a sorte grande! Estou me desfazendo da velha Máquina do Mistério. – E ela bateu na porta do trailer, indicando que era o nome daquela joça grande.
A joça intitulada pela Hippie: A Máquina do Mistério.- Ótimo! Mas eu não sei se posso pagar...
- O que é que você tem?
- Só vodka e cigarros.
- Ta de bom tamanho, já tem mais que eu. Agora você tem um trailer. – Ela saiu, esticou os braços para levar consigo o nosso trato monetário de bebida e nicotina e saiu cantarolando “Age of Aquarius”.
Desci do teto do trailer e subi pela cabine. Alguma coisa fedia muito naquele lugar.
Os pequenos e espremidos cômodos do trailer estavam repletos de qualquer gosma muito suspeita, fedendo a crack e cachorro molhado.
Mas eu descobri que o odor era na verdade o Garcez na janela do trailer.
- Ei! O que você está fazendo nessa espelunca? – Ele me perguntou, palitando os dentes com seu taco de beisebol.
- Será minha nova casa. Mas tenho que pensar em um jeito de limpar essa merda toda pra poder reformá-la.
Neste instante, a fuinha saiu de dentro do meu bolso.
- Aguém falou em merda? – Azeite de Oliva parecia uma fuinha cafeinadamente animada.
- Oi bichano. – Cumprimentei, observando que a fuinha observava o meu isqueiro que observava metalicamente o local arruinado.
Uma fuinha incendiária, uma psicopata incendiária e um trailer precisando de limpeza, logicamente resultaram em um veículo pegando fogo.
Eu só não sei onde o Garcez entra nessa história.
Tenho que me lembrar de perguntar isso ao Paulo.








Um comentário:
HAHAHA, SIMPLESMENTE GENIAL !
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