Cheguei no caixa, saquei uma pequena quantia, o suficiente para a entrada e algumas bebidas. Não quis sacar muito, pois sabia que a situação do amigo que havia me emprestado o cartão não era muito boa. Seu nome era Adivocleison. Ninguém tem uma situação boa com um nome desse. Fui modesto, peguei as poucas notas de 50 reais que saiam do caixa e voltei ao carro. Liguei o motor, nada. Tentei de novo, nada. Uma terceira vez, ele pegou. Fui pisar no acelerador, errei o pé, pisei no freio, com o susto tirei o pé da embreagem. O carro morreu. Dei algumas dezenas de porradas no volante com a cabeça e tentei ligar de novo. Nada. Saí do carro, ainda segurando o volante e comecei a empurrar. Alguns metros depois, o carro dá um pequeno tranco e liga. Entrei rapidamente, coloquei o cinto e acelerei. Menos de 5 segundos depois uma viatura me mandou parar, eu passei o sinal vermelho. Peguei a multa, dei um bom dia "mui" educado ao guarda, com direito à ameaças de morte um coquetel Molotov.
Cerca de meia hora depois, cheguei no dito bar. Som agradável, algo do Deep Purple. Não, não era Smoke on The Water. Entrei, recebi um canhoto para anotar os gastos e sentei-me no balcão do bar. Pedi um uísque duplo com gelo. Olhei o ambiente, lugar confortável. Cuspi no chão, cocei o saco e vi uma mulher me olhando. Loira, um pouco cheinha, batom vermelho. Sorri, ela veio na minha direção.
- Oi. - Disse, olhando-a mais de perto. Tinha um rosto bonito, olhos faiscantes e nariz pontudo. Eu teria reparado nisso, se não estivesse olhando somente para a sua enorme bunda.
- Oi. - Ela respondeu, sorrindo. Pediu uma Marguerita, tomou-a de um gole só.
- Bar bacana, é minha primeira vez aqui. - Falei, tomando meu uísque. Um anão passou por nós, me encarando. Cuspi nele, o que gerou um tumulto de uns quinze minutos, que envolveu o anão, um garçom e um camelo. Ao que parece, camelos não gostam de anões.
- É, o lugar é legal, mas é muito movimentado. - Falou ela, sorrindo, como se nada daquele estraho incidente tivesse acontecido.
- Quer ir para um lugar mais calmo? - Perguntei de uma vez. Fui direto ao ponto, sem medo. Ela sorriu. É hoje.
- Quero. A minha casa ou a sua? - Ela perguntou, com um sorriso débil nos lábios.
- Ahm... a sua. A minha está de reforma. - Disse rapidamente, lembrando da situação do meu apartamento, que agora tinha apenas uma televisão, uma banheira no meio da sala e alguns galões de água e uísque. Além de uma maldita fuinha.
Saímos do bar, entramos no meu carro. Ela me guiou até sua casa. Um apartamento em um bairro de classe média. Deu pra ver que sua vida era comum. Apartamento médio, móveis medianos, aparelhos eletrônicos meio novos, mas já usados, contas de valor médio presas na geladeira de tamanho médio por imãs. Ela se virou e me beijou. Ficamos nos beijos por uns minutos, ela me levou até seu quarto. Entrou no banheiro, falando que queria "se refrescar". Tive a ideia de esperá-la sentado na cama. Péssima ideia.
Sentei na cama. TREC TREC. Me assustei. Me ajeitei. TREC TREC TREC. Levantei-me e cheguei na porta do banheiro. Bati três vezes, ela respondeu com um resmungo baixo, parecia estar escovando os dentes.
- Ahm, sua cama está fazendo uns barulhos estranhos.
Ela abriu a porta. Estava nua.
- Eu sei. Eu preparei especialmente hoje. Eu sempre quis transar em uma cama forrada de plástico bolha.
- COMO É QUE É, MINHA SENHORA? - Falei, embasbacado, mas ainda sem me mexer. Ela se jogou na cama. uma explosão de "trecs". Ela sorriu e se virou, causando mais uma onda de barulho.
- Vamos, vai ser divertido. - Ela disse, sorrindo.
- Ah, foda-se. - Respondi, me soltando na cama. Mas na hora que todos aqueles "trecs" estouraram e eu senti as bolhas pipocando em mim, tive um ataque de riso sobrenatural. Comecei a rir de tudo. E quanto mais eu ria mais bolhas estourava.
A bizarra mulher do plástico bolha ficou um tanto irritada com minhas risadas, e tentou me fazer ficar quieto, mas quanto mais aquelas pequenas bolhinhas de ar estouravam e pipocavam, mais eu ria, e quanto mais eu ria, mais ela ficava brava, e mais ela se agitava em cima da cama, e mais estourava as bolhas. No final ela fez uma cara de choro, e eu parei de rir. Ela se sentou no canto da cama, meio quieta. Fui abraçá-la, ela se afastou.
- Mas, você não acha meio estranho querer transar numa cama de plástico bolha? - Perguntei, tentando segurar o riso.
- Pode ser. Mas tem algo melhor que estourar essas bolhinhas? - Perguntou ela, me olhando.
- Hm... sexo?
- Exatamente! Agora imagine, fazer sexo E estourar essas bolhinhas. É como jogar chocolate no leite condensado. Não tem como ser ruim.
- Faz sentido.
- Então! Mas agora não quero mais. Pode pegar suas coisas e sair daqui.
- Tudo bem. - Disse, meio triste. Perdi a única oportunidade de fazer sexo do ano, e ainda estávamos no dia 1º de Janeiro.
Entrei no carro, liguei o som. Saindo da garagem fui parado por uma viatura. Esqueci o maldito cinto.
No final da noite, eu já tinha uma resolução para 2011: Transar em uma cama forrada de pástico bolha.








3 comentários:
Não vou nem perguntar com quem você teve essa idéia. UHASDUHSDAHUSDA Ótimo conto, vou rir por semanas. XD
Indiquei o blog de vocês ao Selo Kreativ blogger. Acessem o link abaixo para saber como funciona:
http://www.colmeia-do-ze.co.cc/2011/01/selo-kreativ-blogger.html
Cara... O pior é que faz um tremendo sentido! @__@
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